João Massango “amou” saber que Lula venceu

Maputo (O Destaque) – O presidente do Partido Ecologista de Moçambique, João Massango, considera que a experiência política e eleitoral do Brasil oferece ensinamentos importantes para Moçambique, sobretudo no que diz respeito à credibilidade das eleições, à participação dos cidadãos e à adopção de políticas públicas capazes de melhorar as condições de vida da população.

Em entrevista concedida ao Jornal O Destaque, Massango analisou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, destacando a importância das políticas sociais, do funcionamento das instituições eleitorais e do papel do Brasil nas relações internacionais.

Na análise da vitória de Lula da Silva, Massango considera que o percurso político do Presidente brasileiro está ligado a defesa dos trabalhadores e dos sectores mais desfavorecidos da sociedade.

Segundo o dirigente, a experiência de Lula demonstra que a liderança política não depende exclusivamente da formação académica, podendo também resultar da experiência profissional, da capacidade de mobilização e do compromisso com as causas sociais.

Massango entende que o combate à pobreza, o acesso à educação, à saúde e ao emprego são factores importantes para compreender as escolhas dos eleitores. Na sua perspectiva, os cidadãos esperam que os governantes apresentem soluções concretas para os problemas que afectam as suas vidas.

Sobre a relação entre as sondagens e os resultados eleitorais, o presidente do Partido Ecologista defende que a opinião pública deve ter acesso à informação, a debates entre candidatos e a propostas que permitam escolhas conscientes.

Massango considera que as sondagens são instrumentos úteis para acompanhar as tendências eleitorais, mas não substituem o voto nem garantem antecipadamente o resultado das eleições.

O dirigente destaca ainda a importância da transparência na apuração dos votos e da confiança nas instituições responsáveis pela administração eleitoral, considerando que a legitimidade dos resultados depende da correspondência entre a vontade expressa nas urnas e os resultados anunciados.

Ao estabelecer uma comparação entre o Brasil e Moçambique, João Massango defende uma reflexão sobre a modernização do sistema eleitoral nacional, tendo como referência a rapidez da apuração dos votos no Brasil, através das urnas electrónicas.

Para o político, a experiência brasileira pode ajudar Moçambique a avaliar mecanismos que tornem o processo eleitoral mais eficiente e credível.

Contudo, Massango sublinha que a tecnologia, por si só, não garante eleições transparentes, sendo igualmente necessárias auditorias independentes, fiscalização efectiva, segurança dos sistemas e instituições credíveis.

O dirigente considera que o debate sobre eventuais reformas eleitorais deve envolver as diferentes forças políticas e procurar soluções que reforcem a confiança dos cidadãos no processo de votação.

No plano internacional, João Massango considera que a continuidade de Lula da Silva na Presidência brasileira pode abrir oportunidades para aprofundar as relações entre o Brasil, Moçambique e outros países africanos.

O presidente do Partido Ecologista aponta áreas como agricultura, saúde, educação, formação profissional, investigação científica e energia como sectores com potencial para o reforço da cooperação.

Massango destaca também a participação brasileira nos BRICS, considerando que o posicionamento internacional do país pode contribuir para ampliar o diálogo político e económico com África.

Na sua perspectiva, Moçambique deve aproveitar as oportunidades de parceria internacional para promover a transferência de conhecimentos, criar empregos e estimular o desenvolvimento económico.

O dirigente defende, entretanto, que os países africanos precisam de políticas claras, instituições fortes e estratégias próprias para transformar os seus recursos naturais em benefícios concretos para as populações.

Para João Massango, a experiência brasileira deve ser analisada de forma crítica, procurando identificar soluções que possam ser adaptadas à realidade moçambicana, tanto na organização eleitoral como na promoção do desenvolvimento social e económico.

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