Maputo (O Destaque) — O cenário político brasileiro registou um novo sobressalto esta terça-feira, com a Polícia Federal (PF) a averiguar a suspeita de que o senador Flávio Bolsonaro, candidato derrotado na corrida à Presidência da República pelo Partido Liberal (PL), tenha abandonado o país após a confirmação dos resultados eleitorais a favor de Luiz Inácio Lula da Silva.
Avançou a CNN Brasil, a movimentação policial surge na sequência da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que ordenou o cancelamento imediato de todos os passaportes nacionais de Flávio Bolsonaro incluindo os diplomas diplomáticos e fixou um prazo rígido de 24 horas para a entrega de quaisquer documentos de viagem estrangeiros na posse do parlamentar.
Cidadania europeia e incumprimento do prazo
O prazo fixado pela alta magistratura expirou às 11 horas desta terça-feira sem que os documentos fossem entregues. Em resposta ao incumprimento, as autoridades policiais procederam ao cancelamento formal dos passaportes nos sistemas de controlo de fronteiras.
A contenda ganha contornos internacionais após o Governo da Itália, através da subsecretária do Interior, Wanda Ferro, ter confirmado na Câmara dos Deputados em Roma que o senador possui cidadania italiana desde 2023 estatuto que lhe confere o direito a passaporte da União Europeia. O mesmo processo foi concluído pelos seus irmãos, Eduardo e Carlos Bolsonaro, por via da Embaixada da Itália no Brasil.
Reacção do senador e alegação de perseguição
Através de uma mensagem audiovisual partilhada nas redes sociais, Flávio Bolsonaro confirmou ter sido notificado pela Polícia Federal à saída da residência do seu pai, Jair Bolsonaro, mas justificou a medida como um acto de represália política. Segundo o senador, a decisão de Alexandre de Moraes baseou-se em declarações públicas do seu irmão, Eduardo Bolsonaro, proferidas a partir dos Estados Unidos, que sugeriam a saída da família do país em caso de derrota eleitoral.
«A decisão baseou-se numa fala do Eduardo de 23 de Outubro, de que eu deveria deixar o país se perdesse a eleição. Eu nunca disse isso. Isto é motivo para retirar o meu passaporte? Isto é justiça?», questionou o parlamentar no vídeo difundido.
Embora tenha articulado com a sua equipa de defesa a entrega formal dos passaportes, os documentos não foram apresentados às autoridades até ao momento, permanecendo incerto o paradeiro do senador enquanto aliados tentam restabelecer o contacto.
Fonte: CNN Brasil
