Maputo (O Destaque) — O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, defendeu esta terça-feira, na capital russa, uma reconfiguração profunda nas relações energéticas globais, sustentando que a segurança do sector deve assentar em mercados estáveis, fornecedores fiáveis e parcerias estratégicas mutuamente vantajosas entre nações produtoras e consumidoras.
Ao intervir na 8.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo do Fórum dos Países Exportadores de Gás (GECF), sob o lema “Situação Actual no Mercado do Gás”, o Chefe do Estado moçambicano foi peremptório ao afirmar que «nenhum país pode construir a sua segurança energética isoladamente», advertindo que a soberania de umas nações não deve ser erguida em detrimento da vulnerabilidade de outras.
África não pode continuar na escuridão
Num dos momentos de maior contundência do seu discurso, o estadista chamou a atenção para o paradoxo de o continente africano deter vastas reservas hidrocarbonetas enquanto milhões de cidadãos continuam privados de electricidade e de fontes limpas de confecção de alimentos.
«África não pode continuar a ser um continente que ilumina outras partes do mundo enquanto milhões dos seus próprios cidadãos permanecem na escuridão», vincou Daniel Chapo, defendendo uma transição energética equilibrada que respeite as assimetrias de desenvolvimento e permita o aproveitamento responsável do gás natural em articulação com as fontes renováveis.
Da extracção à industrialização nacional
Avançando sobre a trajectória de Moçambique, o Presidente da República recordou que, desde a integração do país no GECF como membro observador em 2022, o início das exportações de gás natural liquefeito da Bacia do Rovuma e os novos empreendimentos em curso perspectivam elevar a capacidade nacional para além das 35 milhões de toneladas anuais.
Contudo, Daniel Chapo sublinhou que a visão do Governo transcende a mera exportação de matéria-prima, advogando a urgência de «passar de uma economia assente predominantemente na extracção para uma economia que transforma esses recursos em valor acrescentado, industrialização e soberania económica». Como modelo desta abordagem, citou o complexo de Temane, em Inhambane, que alia o processamento de gás de cozinha à geração de 450 megawatts de energia eléctrica através de uma nova central térmica.
Quatro prioridades para o Fórum Global
O Estadista reafirmou também o papel histórico de Moçambique na integração energética regional, destacando o fornecimento ininterrupto de gás à África do Sul ao longo de mais de duas décadas, e reiterou que as receitas extractivas serão geridas com responsabilidade geracional por via do Fundo Soberano de Moçambique.
