Maputo (O Destaque) – Na sequência do incêndio que atingiu os serviços de Oncologia do Hospital Central de Maputo (HCM), e perante as críticas levantadas por parte da sociedade em relação à campanha de angariação de donativos, Roberto Aleluia sai em defesa da iniciativa, afirmando que a solidariedade solicitada destina-se às vítimas e não à reconstrução da infra-estrutura hospitalar.
Em declarações ao O Destaque, Aleluia considera que parte das críticas resulta de uma interpretação errada dos objectivos da campanha, sublinhando que não se deve confundir a assistência humanitária aos pacientes afectados com as obrigações do Estado na reposição dos serviços destruídos pelo fogo.
“Ninguém, repito, ninguém está a pedir solidariedade para construir o hospital. Ninguém está a pedir ao povo para comprar cimento, ferro ou para apetrechar o serviço de Oncologia. Isso é dever do Estado. E ponto final”, declarou.
Segundo o entrevistado, citando dados oficiais, 22 pacientes internados foram afectados pelo incêndio e perderam bens essenciais, entre os quais roupas, mantas, documentos, medicamentos de suporte, alimentos e produtos de higiene.
Para Aleluia, a situação dos doentes exige uma resposta imediata, tendo em conta a sua condição clínica e a vulnerabilidade em que se encontram após o incêndio.
“Uma pessoa com cancro, internada, fraca, a lutar pela vida, fica sem nada por causa de um incêndio. Vamos cruzar os braços e dizer: isso é problema do Estado, esperem? Isso é desumanidade! Isso é crueldade!”, questionou.

O interveniente defende que a mobilização de cidadãos e empresas deve ser entendida como um gesto voluntário de solidariedade, sem substituir a responsabilidade governamental. Contudo, considera fundamental que haja transparência na gestão dos donativos, advertindo que os recursos não devem ser desviados da finalidade anunciada.
Aleluia assegura que, caso a campanha venha a ser utilizada para financiar a reconstrução da infra-estrutura ou cobrir responsabilidades que competem ao Governo, será necessário exigir explicações e responsabilização.
“Solidariedade não é cheque em branco. Solidariedade é para as vítimas e tem que ter prestação de contas”, advertiu.
Na mesma intervenção, Roberto Aleluia manifestou apoio à liderança do Presidente da República, Daniel Chapo, destacando aquilo que considera ser uma postura de proximidade com a população e de mobilização perante situações de sofrimento. O entrevistado foi mais longe ao afirmar que o Chefe do Estado governa com ciência e Bíblia, numa combinação que, na sua visão, representa conhecimento técnico e compromisso humanitário.
No entendimento de Aleluia, a assistência imediata aos 22 pacientes e a reconstrução dos serviços de Oncologia são duas tarefas distintas, que não devem ser colocadas em confronto, uma vez que a solidariedade social pode socorrer as vítimas enquanto o Estado cumpre a sua obrigação de recuperar a infra-estrutura hospitalar.
