Maputo (O Destaque) – Analista critica a liderança do presidente da RENAMO, acusa-o de se manter distante dos principais problemas do país e defende maior abertura democrática dentro do partido.
Numa altura em que a RENAMO parece estar à beira da “tumba” política, com as divisões internas a agravarem-se e a expulsão de António Muchanga a aumentar a tensão, Alberto Manhique considera que o alvo do afastamento deveria ser o próprio presidente do partido, Ossufo Momade, a quem acusa de permanecer em silêncio perante os principais problemas que afectam os moçambicanos.
Em reacção ao afastamento de António Muchanga, Manhique disse ao O Destaque que acompanha a situação com preocupação, sobretudo pela forma como considera que a segunda maior força política da oposição está a ser conduzida.
“Olho para esta situação com muita preocupação. Estou indignado e preocupado com a forma como a RENAMO está sendo gerida por Ossufo Momade”, afirmou.
O analista foi mais longe ao defender que, na sua perspectiva, o actual líder do partido é quem deveria ser afastado da liderança, argumentando que a democracia interna exige espaço para a expressão de diferentes ideias e posições políticas.
“Consultando a minha consciência, quem devia ser expulso da liderança da RENAMO é o próprio Ossufo Momade”, declarou.
Para Manhique, a divergência de opiniões entre os membros e dirigentes não deveria ser motivo para afastamentos, uma vez que a discussão interna pode contribuir para o fortalecimento da organização política. Na sua leitura, um partido que se apresenta como defensor da democracia deve permitir que os seus membros expressem livremente as suas preocupações e propostas.
“E a RENAMO tem vindo a proclamar que defende a democracia. A democracia pressupõe que os membros e os dirigentes falem de acordo com a sua consciência política”, sustentou.
O analista considera ainda que o descontentamento em relação à liderança de Ossufo Momade não se limita a António Muchanga, defendendo que as críticas resultam de um mal-estar mais amplo entre membros e militantes do partido.
“Quem exige a saída de Ossufo Momade não é apenas o António Muchanga. Quem destrói a imagem de Ossufo Momade não é o Muchanga. São os membros do partido RENAMO que queimam a imagem de Ossufo Momade, quando repudiam a sua liderança”, afirmou.
Manhique acusa líder da RENAMO de silêncio perante os problemas do país
Entre as principais críticas dirigidas a Ossufo Momade, Alberto Manhique aponta aquilo que considera ser a ausência de posicionamentos públicos do líder da RENAMO sobre questões sociais e políticas que afectam o país.
Segundo o analista, a liderança de um partido da oposição deve manter-se activa, acompanhar os acontecimentos nacionais e apresentar posições sobre matérias como o custo de vida, a saúde pública e a educação.
“E o Ossufo Momade está calado de Janeiro a Janeiro. Nunca se preocupa um dia sobre a carestia da vida. Nunca ouvimos o líder da RENAMO a falar sobre a saúde pública. Nunca ouvimos o líder da RENAMO a falar sobre a educação, que vai de mal a pior”, criticou.
Manhique acrescentou que espera de uma liderança política uma intervenção mais frequente sobre os desafios nacionais, incluindo os sequestros, a perseguição política e a intolerância política, matérias que, na sua opinião, exigem maior atenção dos partidos da oposição.
O analista defende, por isso, que as reivindicações de António Muchanga, João Machava e de outros membros devem ser entendidas no contexto da exigência de uma liderança mais presente e atenta aos problemas do país.
Na sua perspectiva, a RENAMO precisa de uma direcção capaz de representar as preocupações dos seus militantes e de intervir activamente no debate público, sob pena de aprofundar as divisões internas e comprometer a sua imagem política.
