Maputo (O Destaque) — No contexto das celebrações do 51.º aniversário da Polícia da República de Moçambique (PRM), o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, deixou um discurso marcado por elogios à corporação policial, mas também por fortes advertências contra o crime organizado, a corrupção e os desvios de conduta dentro das próprias instituições do Estado.
Perante membros das Forças de Defesa e Segurança, o Chefe de Estado reconheceu o papel desempenhado pela PRM ao longo de mais de cinco décadas, destacando o sacrifício diário dos agentes que trabalham “24 horas por dia, faça sol ou faça chuva”, para garantir a ordem e a tranquilidade pública em todo o território nacional.
Durante a sua intervenção, Chapo afirmou que a população moçambicana jamais esquecerá o envolvimento da polícia no combate ao terrorismo, nas operações de salvamento durante cheias e ciclones, bem como na reposição da ordem pública em momentos de tensão social e manifestações violentas registadas no país no ano passado.
O Presidente destacou ainda que não pode existir desenvolvimento económico sem paz e segurança, defendendo uma polícia mais próxima das comunidades, firme quando necessário e comprometida com a prevenção criminal.
Sob o lema “PRM: 51 anos reafirmando o compromisso com as comunidades no combate à criminalidade, terrorismo, sinistralidade rodoviária e corrupção”, Chapo aproveitou a ocasião para lançar um apelo directo ao combate sem tréguas à corrupção, classificando o fenómeno como “um cancro que mata silenciosamente a sociedade moçambicana”.
Num dos momentos mais fortes do discurso, o Presidente deixou sinais claros de intolerância contra agentes envolvidos em práticas ilícitas, defendendo uma limpeza interna nas instituições e reforçando que o combate à corrupção deve começar dentro das próprias fileiras.
Inspirando-se num provérbio africano, declarou que “não adianta lavar a panela por fora, deixando o interior sujo”, numa mensagem entendida como um aviso directo aos chamados agentes “nhonguistas” e a todos os funcionários públicos envolvidos em esquemas de corrupção.
Outro ponto sensível abordado foi o combate aos raptos. Apesar de reconhecer avanços alcançados nos últimos meses, Chapo alertou que os criminosos podem estar apenas a reorganizar-se, defendendo vigilância máxima e acções permanentes para impedir o ressurgimento deste tipo de crime.
O Chefe de Estado também apelou ao reforço da luta contra o tráfico e consumo de drogas, branqueamento de capitais e criminalidade organizada, garantindo que o Governo continuará a investir na formação, equipamento e melhoria das condições de trabalho das forças policiais.
Na recta final do discurso, Daniel Chapo encorajou os membros da PRM a permanecerem “firmes, determinados e implacáveis” na missão de garantir segurança ao povo moçambicano, encerrando a cerimónia com um brinde à paz, à convivência harmoniosa e à estabilidade nacional.
