Maputo (O Destaque / Cortesia) — O mundo voltou a olhar com preocupação para a República Democrática do Congo (RDC), depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciar uma emergência de saúde pública de importância internacional devido a um novo surto do vírus Ébola, considerado raro e altamente agressivo.
A decisão representa o mais alto nível de alerta da agência das Nações Unidas e surge numa altura em que dezenas de mortes já foram registadas nas zonas afectadas do leste congolês. Segundo as autoridades sanitárias, o principal receio prende-se com a possibilidade de propagação transfronteiriça da doença, sobretudo em regiões marcadas por deslocamentos populacionais e conflitos armados.
Com a declaração, a OMS pretende acelerar a mobilização internacional para travar o avanço do vírus, apelando ao reforço urgente da vigilância epidemiológica, do rastreio de contactos e das campanhas de vacinação de emergência.
As frágeis infra-estruturas de saúde da RDC enfrentam agora uma pressão crescente, enquanto equipas médicas tentam conter o avanço da doença em áreas de difícil acesso. Organizações humanitárias alertam que o contexto de insegurança em algumas províncias poderá dificultar as operações de resposta rápida.
O novo surto reacende memórias da crise de 2014 a 2016, considerada a mais devastadora da história do Ébola, que provocou mais de 11 mil mortes em países da África Ocidental. Embora os especialistas afirmem que actualmente existem melhores mecanismos de vigilância e vacinas mais eficazes, admitem que o factor tempo será determinante para evitar uma crise sanitária de maiores proporções.
A declaração de emergência internacional não significa, automaticamente, o encerramento de fronteiras ou restrições globais de viagens, mas funciona como um forte sinal político e diplomático para que os países reforcem os seus sistemas de prevenção e preparação.
Enquanto a comunidade internacional acompanha a evolução do cenário com apreensão, autoridades de saúde insistem que a contenção imediata do surto será decisiva para impedir que o vírus ultrapasse as zonas actualmente afectadas e transforme a situação numa nova emergência continental.
