Maputo (O Destaque) — O analista político Dércio Alfazema defende que não deve haver tabu em torno do debate sobre mandato presidencial de sete anos, considerando que a discussão pode ser feita no contexto do diálogo político nacional. Em entrevista exclusiva ao Jornal Destaque, Alfazema afirmou que Moçambique deve encarar a reflexão com maturidade democrática, colocando no centro o desenvolvimento do país e não apenas disputas pelo poder.
Segundo o analista, qualquer revisão sobre a duração dos mandatos — incluindo a hipótese de se passar de cinco para sete anos — deve ser resultado de uma reflexão profunda e inclusiva dos moçambicanos. Alfazema alertou, no entanto, que este tipo de debate tende a gerar desconfiança, sobretudo quando é interpretado como uma estratégia de manutenção do poder, o que exige maior transparência e esclarecimento das intenções.
Para Alfazema, a democracia implica a possibilidade de discutir todos os modelos de governação, desde que o objetivo seja o fortalecimento das instituições e a melhoria das condições de vida da população. O analista sublinhou que não há “tempo sagrado” fixo para os mandatos, defendendo que o mais importante é avaliar a eficácia da governação e a capacidade de responder às necessidades do país.
