Estado crítico das estradas volta a pôr vidas em risco no troço Lichinga-Mavago

Mavago (O Destaque)-No coração do Niassa, onde o tempo e a chuva conspiram contra a urgência da vida, uma ambulância transformou-se num símbolo de resistência silenciosa. No último sábado, uma gestante em estado crítico viu o seu direito à saúde afundar-se, literalmente, na lama do troço Lichinga–Mavago, uma via que já se tornou sinónimo de isolamento e desespero.

A viatura de emergência, com a sirene a anunciar a urgência de “duas vidas em trânsito”, ficou atolada durante horas num lamaçal profundo, numa corrida contra o tempo que quase teve um desfecho trágico. A paciente, à mercê das condições precárias da via, foi mantida estável pela equipa médica, que teve de lidar com a angústia, a insegurança e a impotência diante de uma estrada intransitável.

Ver uma ambulância atolada com uma mulher a sofrer lá dentro é ver a nossa dignidade a ser enterrada na lama”, desabafou um residente que ajudou a desatolar o veículo.

Não é um caso isolado. Com as chuvas a intensificarem-se, distritos como Mavago transformam-se em ilhas, onde o acesso à saúde depende de manobras improvisadas e da solidariedade dos transeuntes. A estrada, que deveria ser um elo entre o interior e a capital provincial, tem-se revelado uma ameaça silenciosa para quem dela depende.

A parturiente, felizmente, sobreviveu. Mas a estrada continua, tal como o silêncio em torno de soluções concretas.

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