Hélio Langa: “A Polícia está de parabéns” na marcha da ANAMOLA

Maputo (O Destaque) – A intervenção da Polícia da República de Moçambique (PRM) durante a marcha da ANAMOLA, realizada no último sábado, em Quelimane, continua a gerar barulho. Depois de a corporação justificar o uso de gás lacrimogéneo com a necessidade de garantir a ordem e segurança públicas, o analista Hélio Langa considera que, no caso concreto, a actuação policial evitou consequências mais graves.

Segundo a PRM, a marcha foi previamente desaconselhada depois de uma avaliação das condições de segurança na cidade. A corporação afirma que a decisão resultou de um processo de harmonização com os organizadores, no qual teria sido discutida a necessidade de garantir que o evento decorresse de forma pacífica e ordeira.

Na leitura de Hélio Langa, a existência desse entendimento é determinante para avaliar a intervenção policial. O analista entende que, depois de os participantes terem avançado contra a orientação das autoridades e de terem sido registados actos de arremesso de pedras, que terão danificado uma viatura policial, a PRM recorreu ao gás lacrimogéneo para conter a situação.

“A Polícia está de parabéns”, considerou Langa, defendendo que a corporação optou por um meio não letal para controlar os ânimos e evitar uma escalada de violência.

O episódio, contudo, ganhou uma face inesperado quando algumas pessoas que se encontravam nas proximidades foram atacadas por abelhas, depois de o gás ter atingido uma colmeia existente no local. Segundo as informações apresentadas, algumas vítimas precisaram de assistência numa unidade sanitária próxima.

Apesar de considerar justificável a intervenção policial, Langa levanta uma questão mais ampla: por que razão acontecimentos envolvendo determinadas organizações políticas tendem a terminar, de forma recorrente, em confrontos ou incidentes?

Para o analista, a PRM deve aprofundar o estudo sobre o comportamento dos diferentes grupos sociais e políticos, de modo a adoptar respostas preventivas e adequadas a cada contexto.

Langa alerta, sobretudo, para o risco de a Polícia se tornar previsível nas suas respostas. Na sua avaliação, se determinados grupos souberem antecipadamente como a corporação irá reagir, poderão explorar esse padrão para criar situações que alimentem uma narrativa de vitimização e ampliem a exposição mediática.

Outro factor apontado pelo analista foi a realização, na mesma altura, de um grande evento carnavalesco em Quelimane. Na sua perspectiva, permitir a realização simultânea das duas actividades poderia criar confusão e até aumentar o risco de confrontos entre participantes de um evento político e de uma manifestação cultural.

Para Langa, o desafio agora passa por transformar estas experiências em mecanismos de prevenção, garantindo que manifestações políticas e actividades sociais possam decorrer dentro da lei, sem colocar em causa a ordem pública nem os direitos dos cidadãos.

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