Muchanga entende que “madame Maria falhou na revisão curricular” e defende revisão das políticas de ensino

Maputo (O Destaque) – O analista político António Muchanga considera que a incapacidade de rever o currículo escolar e os conflitos com o sector privado da educação estão entre os factores que marcaram a gestão de Samaria Tovela, antiga ministra da Educação e Cultura, recentemente exonerada do cargo.

Muchanga defende que o sistema de ensino moçambicano precisa de uma reforma curricular que reduza o número de disciplinas e permita aos alunos consolidar conhecimentos fundamentais, sobretudo nas áreas de Português e Matemática.

Na sua análise, a actual carga curricular não corresponde adequadamente ao tempo lectivo disponível, situação que, no seu entender, prejudica o processo de aprendizagem dos alunos do ensino primário e secundário.

“Ela não conseguiu fazer a revisão curricular”, afirmou o analista político, apontando essa questão como uma das principais limitações da gestão de Samaria Tovela.

O entrevistado criticou igualmente a inclusão de disciplinas como Empreendedorismo e Agro-pecuária, questionando a sua aplicação prática nas escolas e defendendo que os alunos devem concentrar-se nas matérias fundamentais, como Português, Matemática, Física, Química, História e Geografia.

Outro aspecto apontado por António Muchanga prende-se com as divergências entre o Ministério da Educação e as instituições privadas de ensino, sobretudo em relação às exigências e multas impostas às escolas.

Segundo o analista, foram introduzidas penalizações cujo fundamento e aplicação considera pouco claros, situação que, na sua perspectiva, contribuiu para as dificuldades enfrentadas durante a gestão de Samaria Tovela.

“Há um decreto último que ela escreveu de multas”, declarou, referindo-se às sanções aplicadas às instituições que não cumprissem determinadas exigências do sector.

Em relação ao novo titular da pasta da Educação, Edson Macuácua, António Muchanga manifestou reservas quanto à possibilidade de mudanças significativas, caso não sejam criadas condições para uma reforma estrutural do sistema de ensino.

“Não há ninguém que pode fazer o moleto sem ovo”, afirmou, defendendo que a resolução dos problemas da educação depende de decisões governamentais e da criação de condições adequadas para a implementação das reformas.

O analista considera que a revisão curricular deve constituir uma prioridade, com a redução do número de disciplinas e uma melhor organização dos horários escolares, tendo em conta a idade dos alunos e o tempo disponível para as aulas.

António Muchanga abordou ainda os atrasos no pagamento das horas extraordinárias aos professores, reconhecendo que o problema não é recente, mas sublinhando que os atrasos não devem prolongar-se por períodos excessivos.

Na sua opinião, os professores devem receber pelos serviços prestados, uma vez que as horas extraordinárias fazem parte das exigências profissionais a que estão sujeitos.

O entrevistado apontou também problemas relacionados com a formação dos professores, a assiduidade e a distribuição dos profissionais pelas escolas, defendendo uma organização que permita reduzir deslocações e melhorar o acompanhamento das actividades lectivas.

Para Muchanga, os desafios da educação não serão resolvidos apenas com a mudança dos titulares do ministério, sendo necessário rever as políticas do sector, melhorar a gestão escolar e criar condições para que os professores se concentrem no processo de ensino e aprendizagem.

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