Maputo (O Destaque) – A liderança da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) reconhece que as divergências internas continuam a marcar a vida do partido, numa altura em que a antiga maior força política da oposição procura preservar a sua unidade, após as eleições gerais de 2024.
A posição foi manifestada pelo presidente da formação política, Ossufo Momade, esta quarta-feira, durante a abertura do Conselho Nacional, que decorre na cidade de Maputo e termina esta quinta-feira.
Na sua intervenção, Momade reconheceu que o partido atravessa “tempos de tensão interna”, caracterizados por “mágoas, ambições e leituras diferentes do rumo do partido”. Apesar deste cenário, defendeu que os conflitos internos não devem comprometer a história nem a missão política da organização.
Segundo a Carta de Moçambique, o líder da Renamo recordou as origens do partido, sublinhando que a organização surgiu da luta por liberdade, pluralismo e dignidade, em resposta à necessidade de dar voz ao povo moçambicano.
Momade apelou ainda à responsabilidade dos membros, considerando que os sacrifícios dos que perderam a vida em nome da causa da Renamo não devem ser desvalorizados por disputas de interesses individuais.
“Deixaram-nos uma causa. E uma causa só sobrevive se for servida por pessoas unidas em torno do essencial”, afirmou o presidente da formação política.
Entretanto, o dirigente reconheceu que a existência de divergências não significa, necessariamente, falta de vitalidade numa organização política. “Um partido sem divergência é um partido sem vida”, declarou.
O pronunciamento acontece num período marcado por contestação interna à liderança de Ossufo Momade e por questionamentos sobre o rumo da Renamo, na sequência dos resultados das eleições gerais de 2024.
O Conselho Nacional, um dos principais órgãos de decisão do partido entre congressos, deverá constituir uma oportunidade para os membros debaterem os desafios da organização, num momento em que a coesão interna e o futuro político da Renamo permanecem no centro das atenções.
