“Tios nhonguistas” viram negócio em Luanda e cobram até 20 mil meticais por pedido de noivado

Maputo (O Destaque/Cortesia) – A crescente pressão económica em Angola está a dar visibilidade a um fenómeno invulgar: cidadãos estão a cobrar entre 50 mil e 300 mil kwanzas para desempenharem o papel de “tios” durante cerimónias de pedido de noivado, conhecidas como alembamento.

A prática, embora não seja recente, tem vindo a expandir-se sobretudo nos municípios de Rangel, Cazenga e Sambizanga, em Luanda, onde alguns homens aceitam representar a família do noivo perante os familiares da noiva, sem qualquer laço de parentesco.

Nas cerimónias tradicionais, é habitual que o noivo seja acompanhado por pais, irmãos, primos e tios, numa demonstração de união e apoio familiar. No entanto, em vários casos, parte dos familiares presentes é contratada apenas para compor a comitiva e transmitir a imagem de uma família numerosa e estruturada.

Os valores cobrados variam de acordo com a dimensão da cerimónia, a experiência do participante e o grau de envolvimento exigido pelos contratantes, podendo atingir os 300 mil kwanzas.

Especialistas em questões sociais e familiares alertam que a crescente procura por “tios de aluguer” pode comprometer o significado e a autenticidade de uma das mais importantes tradições culturais angolanas. Para estes analistas, a prática levanta questões éticas ao substituir vínculos familiares por relações meramente comerciais.

Por outro lado, os cidadãos que prestam este serviço defendem que a actividade representa uma forma legítima de garantir o sustento num contexto marcado pelo desemprego e pelas dificuldades económicas, reconhecendo, contudo, que o fenómeno continua a gerar debate na sociedade angolana.

Fontes: O Destaque/ O Jornal

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