Maputo (O Destaque) – Uma nova onda de violência xenófoba abalou esta semana os subúrbios de Joanesburgo e a cidade costeira de Durban, na África do Sul, deixando um rasto de destruição com dezenas de viaturas incendiadas e estabelecimentos comerciais de estrangeiros saqueados.
Os confrontos eclodiram na sequência de uma marcha popular em Soweto, onde manifestantes contestavam a reabertura do sistema de asilo decretada pelo Departamento de Assuntos Internos. A medida governamental surgiu em cumprimento de uma decisão do Tribunal Constitucional que declarou inconstitucionais os artigos que travavam novos pedidos. No entanto, a implementação gerou filas intermináveis, sobrecarregou os centros e alimentou o ressentimento local alimentado pelo desemprego estrutural e pela pobreza.
Em Soweto e Durban, a contestação transformou-se rapidamente em caos, com tiroteios, intervenção policial com balas de borracha e o encerramento forçado de estabelecimentos geridos por imigrantes.
Sob forte pressão e perante o alastrar da instabilidade, o governo sul-africano recuou e anulou a diretiva de urgência. As autoridades esclareceram que a decisão judicial apenas garante o direito ao processo de avaliação, e não a legalização automática ou a concessão de regalias sociais. Analistas alertam, contudo, que o sentimento anti-imigração continua a ser politicamente instrumentalizado, transformando-se num barril de pólvora a reboque da campanha para as eleições autárquicas.
Fonte: SABC NEW
