Moradores de Nacuale exigem reabertura urgente de unidade sanitária encerrada por razões de segurança

Cabo Delegado (O Destaque) — A população da localidade-sede de Nacuale, no distrito de Ancuabe, apela às autoridades para a reabertura imediata da unidade sanitária local, encerrada desde 2022 devido à instabilidade provocada pelas incursões terroristas na região.

Com o retorno gradual das famílias às suas áreas de origem, os residentes afirmam que o acesso aos cuidados de saúde se tornou um dos maiores desafios do quotidiano.

Para receber atendimento médico, a população é forçada a deslocar-se até à Unidade Sanitária de Marrokane, percorrendo longas distâncias, muitas vezes em condições precárias.

A situação é particularmente grave para mulheres grávidas e doentes em estado crítico.

Segundo relatos locais, há casos frequentes de partos realizados fora de unidades de saúde, devido à impossibilidade de deslocação atempada. A destruição de uma ponte de acesso agrava ainda mais o cenário, sobretudo durante a noite e na época chuvosa.

A travessia é muito difícil e perigosa. Muitas vezes não há alternativa, mesmo quando alguém está em trabalho de parto”, relatou uma moradora da região.

Os residentes dizem estar cansados de promessas sucessivas de reabertura da unidade sanitária, sem avanços concretos.

 A frustração cresce à medida que o tempo passa e as necessidades básicas de saúde continuam por satisfazer.

Contactada pela Rádio Comunitária de Ancuabe, a administração distrital reconheceu as preocupações da população, mas esclareceu que a reabertura da unidade sanitária depende de garantias mínimas de segurança.

 Segundo o administrador distrital, Belmiro Casimiro, estão em curso avaliações para assegurar a protecção dos profissionais de saúde e dos equipamentos.

Neste momento, a zona ainda apresenta riscos. A nossa prioridade é criar condições que permitam o funcionamento seguro da unidade, evitando colocar vidas em perigo”, explicou.

Para além da unidade sanitária da sede de Nacuale, o encerramento do posto de saúde da comunidade de Ngura, no mesmo posto administrativo, aprofunda a crise no acesso aos serviços de saúde, deixando milhares de pessoas sem assistência médica básica.

A população espera que as autoridades acelerem as medidas necessárias, defendendo que o direito à saúde não pode continuar refém da insegurança.

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