Maputo (O Destaque/cortesia) — A deputada e alta dignitária da Assembleia da República de Moçambique, Margarida Adamugi Talapa, desembarcou, esta segunda-feira (22), na capital do Azerbaijão. A governante chefia a delegação nacional que vai marcar presença na 20.ª Sessão da Conferência da União Parlamentar dos Estados-Membros da Organização da Cooperação Islâmica (PUIC), num momento em que a comunidade internacional acompanha, com acrescida apreensão, as tensões no Médio Oriente.
À sua chegada ao Aeroporto Internacional Heydar Aliyev, a chefe da delegação parlamentar moçambicana foi recebida com honras de Estado pela Vice-Presidente da Assembleia Nacional do Azerbaijão, Amina Agjzada. O encontro protocolar serviu de preâmbulo para vincar os laços de cooperação bilateral entre Maputo e Baku, preparando o terreno para as jornadas de debate que se avizinham.
O certame, que decorre de 22 a 25 de Junho, gravita em torno do lema “Promover o Desenvolvimento Económico Sustentável e Inclusivo nos Estados-Membros da OCI através da Cooperação Parlamentar”. Trata-se de uma temática que ecoa com particular acuidade nas aspirações e desafios de desenvolvimento de Moçambique, sobretudo num tabuleiro global fustigado por crises securitárias e fracturas geopolíticas.
O ponto de viragem da conferência terá lugar nos dias 24 e 25, com a Reunião Anual dos Presidentes dos Parlamentos dos Estados-Membros da OCI. Será nesse palco que Margarida Talapa fará a sua alocução principal em representação do Parlamento moçambicano uma estreia em fóruns desta magnitude que promete colocar a diplomacia moçambicana no epicentro do debate multilateral islâmico.
A comitiva nacional integra sete deputados da Assembleia da República, que compõem o Grupo Nacional Junto da PUIC. Os parlamentares moçambicanos vão desdobrar-se em participações activas nos painéis temáticos das comissões especializadas, com destaque para a Comissão Permanente sobre Assuntos da Mulher e Família e a Comissão Permanente de Assuntos Políticos e Relações Internacionais.
Esta sessão parlamentar decorre num ambiente de invulgar volatilidade internacional, amplificada pelos focos de conflito que opõem potências ocidentais a actores do Médio Oriente, impactando directamente os países da OCI organização fundada em 1969 para cimentar a solidariedade e o diálogo inter-hemisférico entre os seus estados-membros.
Moçambique, cuja adesão à OCI remonta a 1994 e à PUIC em 1999, reclama um legado histórico de coerência na arena internacional, sendo um defensor acérrimo da causa palestiniana. Sendo um dos pioneiros no reconhecimento da autodeterminação do Estado da Palestina e na abertura de uma representação diplomática em Maputo, o país reafirma, a partir de Baku, a sua posição inabalável em prol da solução de dois Estados soberanos e independentes: Israel e Palestina.
A missão liderada por Margarida Talapa no Cáucaso transcende o mero formalismo protocolar. Configura-se como um manifesto político de peso, que reitera o engajamento de Moçambique no multilateralismo, na busca pela pacificação das regiões em conflito e no robustecimento da sua soberania no concerto das nações.
