Maputo (O Destaque/cortesia) — contactos, entendimentos e parcerias alcançados durante a Cimeira de Investimento do Fórum Global do Turismo 2026, realizada recentemente em Luanda, abrem perspectivas concretas para galvanizar a projecção internacional de Moçambique, impulsionar o crescimento económico e gerar mais postos de trabalho, com particular enfoque para jovens e mulheres.
A garantia foi dada ontem (18) pelo Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, durante a conferência de imprensa de balanço da sua participação no evento. Na sua locução, o Chefe do Estado classificou a visita de trabalho à vizinha República de Angola como “extremamente positiva e produtiva”, destacando os ganhos colhidos no xadrez da diplomacia económica e da promoção do turismo como um vector estratégico de desenvolvimento.
O Estadista moçambicano sublinhou que a cimeira revestiu-se de uma elevada importância estratégica para Moçambique, num momento em que o Executivo empenha-se em reduzir a dependência das receitas provenientes dos hidrocarbonetos, canalizando esforços para a diversificação do tecido económico nacional.
“Temos afirmado reiteradamente que a nossa visão é evitar que a economia fique excessivamente dependente dessas receitas, apostando na diversificação económica”, vincou o governante.
Nesta senda, Daniel Chapo enalteceu a experiência de Angola no processo de transição económica, referindo que o país irmão tem vindo a mitigar a sua dependência quase exclusiva do petróleo através de investimentos robustos em sectores como a agricultura, turismo, transportes e logística. “Constatámos que os nossos irmãos angolanos partilham a mesma visão”, asseverou.
Para o Chefe do Governo, a presença moçambicana no certame permitiu consolidar a visão de que o turismo deve operar como um verdadeiro motor de desenvolvimento. O sector destaca-se pela sua elasticidade na absorção de mão-de-obra e na promoção da equidade social.
“O turismo tem uma enorme capacidade de gerar emprego, sobretudo para jovens e mulheres, criar rendimento para todos os estratos sociais e promover a inclusão social”, detalhou.
O evento, que reuniu investidores, decisores políticos, instituições financeiras e especialistas mundiais, serviu de montra para Moçambique expor o seu vasto potencial. A delegação nacional colocou em destaque os cerca de 2.700 quilómetros de costa bafejada por águas tropicais, o arquipélago de ilhas, os parques nacionais e as áreas de conservação, além do rico património histórico e cultural. Foram igualmente apresentadas oportunidades de negócios nos domínios da agricultura, energia, indústria, transportes e transformação digital.
Instado a comentar sobre os factores de atractividade para o investimento directo estrangeiro, o Presidente da República reiterou o compromisso do Estado com a manutenção da paz e da estabilidade, condições sine qua non para o progresso. Relativamente à situação de segurança na província de Cabo Delgado, Daniel Chapo esclareceu que o fenómeno do terrorismo encontra-se circunscrito a alguns distritos recônditos do norte daquela província, não afectando a totalidade do território nacional, e realçou que as Forças de Defesa e Segurança (FDS), com o apoio das forças irmãs e amigas, têm sabido conter e repelir a ameaça com sucesso.
À margem da cimeira, o Alto Magistrado da Nação manteve um encontro bilateral de cortesia com o seu homólogo angolano, João Lourenço. Na mesa das discussões esteve o reforço da cooperação económica e comercial, tendo-se avançado a perspectiva de incrementar as ligações aéreas entre Luanda e Maputo actualmente fixadas em cinco frequências semanais com vista a atingir voos diários a curto prazo.
A agenda de trabalho em Luanda incluiu ainda audições de alto nível com a Secretária-Geral da ONU Turismo, com o Presidente do World Tourism Forum Institute e com líderes de grandes consórcios internacionais. Entre estes, destacam-se os encontros mantidos hoje com Khalid Hassan Algahtan, Presidente e CEO da Rikaz Holding, e Carlos Mota Santos, Presidente e CEO da Mota-Engil.
As auscultações gravitaram em torno da mobilização de capital internacional e do desenho de uma nova vaga de projectos estruturantes para o País, com forte interesse manifestado por grupos empresariais dos Emirados Árabes Unidos, do Grupo OPAIA e do Grupo Emerald nas áreas de logística, infra-estruturas e agro-indústria.
De modo a garantir que estas manifestações de interesse se traduzam em projectos palpáveis, o estadista assegurou que o acompanhamento pós-cimeira será liderado pela Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações (APIEX), em estreita coordenação com o Gabinete Central de Reformas e Projectos Estratégicos da Presidência da República e os ministérios de tutela.
“De uma forma geral, consideramos que esta visita foi extremamente positiva e produtiva”, concluiu o Chefe do Estado, rematando que a actuação em Luanda valida a eficácia da diplomacia económica activa adoptada pelo Executivo moçambicano.
