Edil de Nampula denuncia motoristas que “comem” 100 litros de combustível em dois dias

Nampula (O Destaque) — O sonho de reerguer a empresa municipal de transportes está a transformar-se num autêntico pesadelo de combustível “desaparecido”. Numa denúncia bombástica feita directamente pelo Edil de Nampula durante uma reunião com os trabalhadores, foi revelado que há motoristas a “comer” quase 100 litros de gasóleo em apenas dois dias, sem qualquer justificação plausível para o esbanjamento.

Em dois dias estão a gastar 100 litros! Como é que nós vamos abastecer esses carros?”, questionou o autarca, visivelmente agastado com a situação que sufoca as contas do município. O consumo descontrolado está a colocar em xeque a viabilidade da nova frota, que mal começou a rolar pelas artérias da chamada capital do Norte.

A situação torna-se ainda mais gravosa pelo facto de a edilidade estar a tentar “limpar a face” do sector de transportes públicos, após anos de uma gestão anterior considerada totalmente falhada. Agora, com este novo projecto, o Conselho Municipal enfrenta a desconfiança e o boicote interno. “Estamos a tentar levantar a empresa e vocês já estão a tentar afundar o novo projecto”, desabafou o Edil, acusando abertamente os motoristas de estarem a sabotar o serviço público.

Durante o tenso frente-a-frente, ficou claro que há um forte braço de ferro entre dois blocos internos, e a falta de uma estratégia bem definida está a cavar divisões profundas no seio dos trabalhadores. Enquanto uma ala reclama que há uma  manobra de esperteza sobre o pagamento de salários em atraso, outros exigem o cumprimento imediato das promessas feitas pela direcção municipal.

O Edil não poupou o tom e bateu o pé perante o funcionalismo: “Não somos crianças. Vocês querem contrair dívidas em todas as bombas de combustível e depois vão parar as viaturas, forçando a falência por via do consumo desregrado.” O autarca ameaçou ainda avançar com rescisões compulsivas: “Há quatro pessoas que vou mandar embora já”, numa tentativa de estancar as perdas para que a empresa atinja a meta de 50% de receita necessária para saldar as contas com os credores de combustível.

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