Maputo (O Destaque) – Dois anos depois do grave acidente de viação protagonizado por Florindo Nyusi, filho do ex-Presidente da República Filipe Nyusi, o Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD) afirma que as instituições de Justiça e a Polícia da República de Moçambique (PRM) não estão a actuar no caso.
De acordo com o “Boletim Sobre Direitos Humanos” n.º 563, divulgado esta quarta-feira, 29 de Julho, o acidente ocorreu a 12 de Julho de 2024, na Avenida Julius Nyerere, em Maputo, pouco depois da Escola Portuguesa. Conduzindo em alta velocidade, Florindo Nyusi terá provocado um embate que resultou em ferimentos graves a dois menores e danos avultados em dois veículos, incluindo o que conduzia.
O CDD refere que, segundo testemunhas, após o acidente um contingente de homens armados e sem identificação chegou ao local e retirou Florindo Nyusi, deixando para trás as vítimas. Para a organização, este acto viola o artigo 154 do Código de Estrada, que obriga à prestação de socorro e proíbe o abandono do sinistrado.
“Entretanto, diversos elementos que devem acompanhar o auto foram ignorados. Tratando-se de um acidente em que o causador se colocou em fuga, está evidente que houve também cometimento de um crime”, lê-se no boletim.
O CDD defende que a PRM devia ter detido o infractor, submetê-lo a exame de alcoolemia, e exigir documentos do veículo, seguro e carta de condução. “Para o arrepio das normas legais, nenhum destes actos foi praticado, deixando-se Florindo Nyusi em liberdade numa clara indicação de que pelo facto deste ser filho de um dirigente se encontra privilegiado por imunidade às leis”, acusa o Centro.
A organização conclui que o silêncio da Polícia e da Justiça neste processo “faz à sociedade ter a ideia de que os filhos dos dirigentes são imunes às Leis” e coloca em causa a aplicação da lei de forma igual para todos.
Até ao momento, as autoridades não se pronunciaram publicamente sobre o actual ponto de situação do processo.
