Muchanga exige explicações: “como é que a bandeira moçambicana apareceu naquele navio?”

 Maputo (O Destaque) – As declarações das autoridades norte-americanas de que neutralizaram um navio que ostentava a bandeira nacional, alegadamente por violar um bloqueio marítimo no Golfo de Omã, continuam a gerar reacções em no país. Apesar de o Instituto de Transporte Marítimo (ITRANSMAR) ter esclarecido que a embarcação não consta do Registo Nacional de Navios nem possui autorização para arvorar a bandeira do país, o político António Muchanga defende que o caso exige um esclarecimento público e uma investigação aprofundada.

Em reacção ao incidente, Muchanga afirmou estar preocupado com a utilização da bandeira moçambicana numa embarcação que, segundo o ITRANSMAR, não possui qualquer vínculo legal com o Estado.

Temos a situação do navio que foi atacado nas águas iranianas ostentando a bandeira moçambicana. Entretanto, entre as más notícias, surge a informação de que esse navio não está registado em Moçambique, mas ostentava a nossa bandeira. Eu acho que esta não é uma boa situação porque belisca a soberania do Estado”, afirmou.

Na sua análise, o político considera que a prioridade deve ser identificar como a bandeira nacional foi utilizada numa embarcação sem registo oficial.

Mais do que combater outros problemas, agora é preciso saber quem autorizou ou como é que a bandeira moçambicana apareceu naquele navio e o que o Governo está a fazer para repor a verdade sobre esta questão”, declarou.

Muchanga entende ainda que este episódio se junta a outros casos que, segundo ele, afectam a imagem institucional do país.

Esta questão junta-se ao aparecimento de passaportes diplomáticos de origem duvidosa, situação que já foi reportada em vários cantos do mundo. Estou preocupado com tudo isto”, afirmou.

Questionado sobre o facto de os Estados Unidos terem alegado que emitiram vários avisos antes de neutralizarem a embarcação, Muchanga defendeu que tudo dependerá da forma como o caso vier a ser esclarecido.

Se o Governo estiver envolvido, teremos problemas. Agora, se não estiver envolvido, deve dizer claramente ao povo moçambicano o que está a fazer para garantir que os símbolos nacionais não sejam utilizados para facilitar quem viola normas internacionais, incluindo sanções decretadas pelas Nações Unidas e pelos Estados Unidos”, disse.

O político recordou ainda que Moçambique mantém relações de cooperação importantes com os Estados Unidos, sobretudo no sector da saúde.

Os Estados Unidos são parceiros importantes de Moçambique e apoiam grande parte dos programas ligados ao combate à tuberculose, ao HIV/SIDA, à malária e à assistência materno-infantil. Por isso, esta situação deve ser esclarecida rapidamente”, referiu.

Apesar de o ITRANSMAR ter garantido que o navio não integra o registo marítimo nacional, Muchanga considera que o Executivo deve assumir uma posição firme para proteger a imagem do país.

O Governo deve posicionar-se para limpar a imagem de Moçambique. A nossa imagem ficou beliscada, principalmente depois de os próprios Estados Unidos terem anunciado que neutralizaram uma embarcação que ostentava a nossa bandeira”, afirmou.

Na parte final da sua intervenção, António Muchanga defendeu que o episódio demonstra a necessidade de um debate mais amplo sobre a governação e a defesa da imagem do Estado.

Este caso demonstra que nem este nem outros governos conseguiram encontrar soluções para vários problemas do país. Precisamos de verdadeiros líderes capazes de proteger a República de Moçambique destas situações complicadas, do tráfico de drogas, da criminalidade e do descontentamento existente no funcionalismo público”, declarou.

Muchanga concluiu apelando para que todos os líderes dos partidos com assento parlamentar também se pronunciem sobre o caso.

Gostaria que fossem entrevistados todos os líderes dos partidos representados no Parlamento, porque todos fazem parte do Conselho de Estado. Esta é uma questão que mexe com o Estado e os moçambicanos têm o direito de conhecer o posicionamento de todos”, concluiu.

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