“Não estamos a ser geridos, estamos a ser roubados”, diz Mariza Missa em relação ao escândalo do CC

Maputo (O Destaque) – A aquisição de viaturas pelo Conselho Constitucional continua a alimentar críticas e questionamentos sobre a gestão dos recursos públicos. Em reacção ao caso, Mariza Missa considera que a polémica não deve ser reduzida a uma simples questão de gestão, defendendo que o episódio levanta dúvidas mais profundas sobre a utilização do dinheiro do Estado.

“Nós não estamos a ser mal geridos, estamos a ser roubados”, afirmou Mariza Missa, numa declaração ao O Destaque, na qual questiona as prioridades das instituições públicas num contexto marcado, segundo ela, por dificuldades no sector da educação, saúde e infra-estruturas.

Para Mariza, a aquisição das viaturas deve ser analisada à luz das condições em que vivem muitos moçambicanos. A jovem contrapõe o investimento em meios de transporte institucionais às dificuldades enfrentadas diariamente nas escolas e hospitais.

“Não é simples má gestão dos recursos públicos. […] Isto é falta de moral, de ética”, afirmou, defendendo que a discussão deve ultrapassar a compra das viaturas e alcançar a forma como os recursos do Estado são definidos e aplicados.

A crítica de Mariza estende-se igualmente à justificação recorrente de falta de recursos por parte do Estado. Na sua leitura, existe uma contradição entre o discurso oficial sobre limitações financeiras e despesas que considera elevadas.

“O Conselho de Ministros, todas as terças-feiras, vem dizer que o cofre do Estado não tem dinheiro”, observou, questionando como, perante esse cenário, determinadas instituições conseguem realizar despesas de grande dimensão.

“As decisões eram de quê?”

Mariza questiona ainda se a aquisição das viaturas pode interferir com a percepção pública sobre o funcionamento do próprio Conselho Constitucional.

“As decisões que esta magna casa tomava, antes de comprar esse tipo de viatura, eram decisões de quê? E essas decisões eram válidas? Com essa viatura terá uma decisão saudável?”, questionou.

A declaração surge num momento em que o debate sobre a aquisição das viaturas colocou novamente no centro da discussão a gestão das instituições públicas e a utilização dos recursos do Estado.

Para Mariza, a questão não deve ser tratada apenas como um problema administrativo. “Não podemos olhar para esta questão como simplesmente uma questão de má gestão. Não, nós não estamos a ser mal geridos, estamos a ser roubados”, reiterou.

Críticas à fiscalização

A jovem também manifestou dúvidas quanto à capacidade das instituições moçambicanas de conduzirem uma investigação independente e credível sobre casos relacionados com a gestão dos recursos públicos.

“Tenho dúvidas que em Moçambique exista qualquer instituição com credibilidade e capacidade para inquirir o que quer que seja”, declarou.

Mariza defende que qualquer eventual investigação deve esclarecer a origem dos recursos utilizados, quem autorizou a despesa e quais foram os fundamentos para a aquisição.

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