Vogal da CNE que observou eleições no Brasil diz ao Destaque que pleito foi transparente

Maputo (O Destaque) – A experiência eleitoral brasileira pode servir de referência para o aperfeiçoamento do sistema eleitoral do país. É nesta perspectiva que Rui Manuel Cherene, professor doutor em Ciência da Informação e membro da Comissão Nacional de Eleições (CNE), reagiu ao O Destaque, partilhando a experiência que acompanhou de perto, desde o primeiro turno, no âmbito de uma missão de observação eleitoral, numa eleição disputada entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.

Para Cherene, o processo eleitoral brasileiro constituiu uma experiência impressionante, sobretudo pelo rigor e pela transparência demonstrados pelas instituições da justiça e da administração eleitoral. O académico acompanhou a votação numa perspectiva técnico-institucional, com especial atenção à organização do processo, aos mecanismos de votação e ao apuramento dos resultados.

Em reacção ao O Destaque, o professor considerou que a experiência brasileira oferece ensinamentos importantes para Moçambique, particularmente no que diz respeito à modernização tecnológica, à profissionalização da administração eleitoral e à transparência dos procedimentos.

“Foi uma experiência enriquecedora, que permitiu compreender melhor as dinâmicas de funcionamento de um sistema eleitoral tecnologicamente avançado”, afirmou.

Na disputa eleitoral, Luiz Inácio Lula da Silva venceu Flávio Bolsonaro, num processo que, segundo a análise de Cherene, permitiu observar o funcionamento das instituições eleitorais e judiciais brasileiras. A experiência, na perspectiva do académico, constitui uma oportunidade para Moçambique reflectir sobre os mecanismos que podem contribuir para o fortalecimento da confiança no sistema eleitoral.

Mais do que copiar, é preciso adaptar

Questionado sobre o que Moçambique pode aprender com o Brasil, Rui Manuel Cherene defendeu que a adopção de boas práticas deve ter em conta as particularidades nacionais, evitando a simples reprodução de modelos estrangeiros.

Na sua perspectiva, a experiência brasileira pode contribuir para o fortalecimento das instituições eleitorais moçambicanas, desde que as soluções identificadas sejam ajustadas à realidade institucional e sociopolítica do país.

“Contudo, mais do que reproduzir modelos, importa adoptar uma abordagem comparativa e contextualizada, adaptando as boas práticas à realidade institucional e sociopolítica de Moçambique”, sublinhou.

Ao acompanhar de perto o processo brasileiro, Cherene teve a oportunidade de observar mecanismos que, na sua avaliação, podem alimentar o debate sobre o aperfeiçoamento do sistema eleitoral Nacional.

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