Maputo (O Destaque) – As eleições intercalares nos Estados Unidos da América (EUA), realizadas a 3 de Novembro, apresentam uma vantagem inicial dos democratas sobre os republicanos nas disputas para o Senado, a Câmara dos Representantes e os governos estaduais. Para o jornalista brasileiro Leonardo Sobreira, do Brasil 247, os resultados reflectem a insatisfação dos eleitores com o custo de vida e a condução da política externa da administração de Donald Trump, podendo representar um novo equilíbrio de forças no Congresso norte-americano.
Falando ao O Destaque, Sobreira considerou que o desempenho dos democratas foi surpreendente, sobretudo pela conquista de posições em estados tradicionalmente republicanos, interpretando o resultado como um sinal de descontentamento de parte da população norte-americana com as políticas da actual administração.
“Estados tradicionalmente republicanos acabaram virando estados democratas. Isso eu atribuo em grande parte à insatisfação da população com o custo de vida”, afirmou o jornalista.
Na sua análise, o aumento dos preços do petróleo, que associa à guerra dos Estados Unidos no Irão, terá contribuído para agravar o custo de vida e influenciado o comportamento dos eleitores nas urnas.
Sobreira considera ainda que o resultado eleitoral representa um sinal de resistência às políticas de Trump, sobretudo no domínio da imigração e das relações internacionais.
Os dados divulgados pela Associated Press (AP), actualizados na noite de 3 de Novembro, às 22h35, indicavam 43 lugares para os democratas contra 32 dos republicanos no Senado, numa disputa em que 25 lugares ainda estavam em aberto. Na Câmara dos Representantes, os democratas contabilizavam 38 lugares, contra 18 dos republicanos, permanecendo 379 por definir. Já na disputa para governadores, os democratas tinham 11 posições, contra oito dos republicanos, com 31 ainda em disputa.

Para o jornalista brasileiro, uma eventual consolidação da vantagem democrata poderá limitar a margem de actuação política de Donald Trump, uma vez que o Congresso poderá assumir um papel mais activo na fiscalização e contenção das decisões presidenciais.
“Eu avalio que esse resultado representa um alívio não só para a população americana, mas para o mundo inteiro, porque o presidente Donald Trump vai se ver diante de um Congresso que vai tentar contê-lo”, declarou.
O entrevistado, contudo, não acredita que a principal consequência seja necessariamente a abertura de um processo de destituição presidencial, mas sim o fortalecimento de mecanismos de controlo político sobre a administração Trump.
Na perspectiva de Sobreira, os resultados poderão ter repercussões para além das fronteiras norte-americanas, particularmente na América Latina, região onde considera que uma maior fiscalização do Congresso poderá dificultar eventuais iniciativas de ingerência política dos Estados Unidos.
“Para a América Latina, isso é excelente. Significa que o Donald Trump não vai ter o respaldo do Congresso para poder exercer acções de ingerência em outros países”, sustentou.
O jornalista entende que o desempenho democrata poderá também projectar uma maior força política do partido nos próximos dois anos, abrindo espaço para novas disputas pelo poder em Washington.
Entretanto, os números divulgados pela AP na noite de 3 de Novembro ainda eram parciais, com centenas de lugares por definir na Câmara dos Representantes e dezenas de disputas em aberto no Senado e nos governos estaduais, pelo que a configuração final do poder legislativo norte-americano permanecia por determinar.
