Maputo (O Destaque) – O Presidente da República, Daniel Chapo, lançou um forte apelo ao empresariado português para investir nos mega projectos de gás natural em Cabo Delgado, defendendo que o momento actual representa uma oportunidade única para as empresas se posicionarem num dos maiores investimentos energéticos de África.
Falando durante a sua visita oficial a Portugal, que decorre de 14 a 17 de Julho, Chapo afirmou que Moçambique prepara-se para receber cerca de 50 mil milhões de dólares em investimentos no sector do gás nos próximos cinco a dez anos, um cenário que, segundo o Chefe de Estado, poderá transformar profundamente a economia nacional.
O Presidente explicou que os projectos Coral Sul e Coral Norte, aliados aos empreendimentos liderados pela ENI, TotalEnergies e pela ExxonMobil, representam uma das maiores apostas de desenvolvimento do país, razão pela qual exortou as empresas portuguesas a entrarem desde já na fase de implantação dos projectos.
“Este é o momento certo para as empresas se posicionarem em Moçambique, porque quando os projectos entrarem na fase operacional, haverá menor necessidade de mão-de-obra”, destacou Chapo.
A mensagem foi reforçada durante o encontro com o Presidente da Assembleia da República Portuguesa, José Pedro Aguiar-Branco, onde o estadista moçambicano foi recebido com honras de Estado, numa cerimónia marcada por guarda de honra, tapete vermelho e assinatura do Livro de Honra no Palácio de São Bento.
Outro dos pontos em destaque foi a linha de crédito de 500 milhões de euros acordada entre Moçambique e Portugal, cuja aprovação final poderá acontecer em breve, reforçando o apoio financeiro aos investimentos e à cooperação económica entre os dois países.
Durante a intervenção, Daniel Chapo reconheceu que o país enfrentou um período de instabilidade política após as últimas eleições, mas garantiu que o Governo aposta no diálogo nacional inclusivo, envolvendo partidos políticos, organizações da sociedade civil e outras forças vivas, para consolidar a estabilidade e criar um ambiente favorável ao investimento.
Com mais de 1.100 empresas portuguesas já estabelecidas em Moçambique e perspectivas de crescimento económico superiores a 3% este ano, o Governo acredita que a exploração do gás natural poderá impulsionar o desenvolvimento nacional, gerar emprego, aumentar as receitas do Estado e consolidar Moçambique como um dos principais produtores de gás natural do continente africano.
