Maputo (O Destaque) – O académico Elísio Macamo defende que a celebração da criação das Forças Armadas de Defesa e Segurança não deve impedir uma reflexão sobre a qualidade do trabalho desenvolvido pela instituição, sobretudo num contexto em que o país continua a enfrentar desafios de segurança e de confiança entre as populações e as forças de defesa.
Em reacção ao O Destaque, Macamo afirmou não ver contradição entre assinalar a data de criação das Forças Armadas e a actual situação militar do país.
“Eu acho que não há nenhuma contradição entre festejar a data de criação das Forças Armadas, da FPLM, e a situação militar do país. Não vejo nenhum problema com isso aí.”
Para o académico, as celebrações podem, igualmente, constituir momentos de análise sobre o desempenho da instituição, defendendo que essa reflexão deveria ocorrer mesmo fora das datas comemorativas.
“É verdade que nós, como cidadãos, podemos esperar que estes momentos de celebração sejam também momentos de reflexão em relação à qualidade do trabalho que é feito pela instituição. E acho que até seria bom que isso sempre fosse feito, independentemente de qualquer tipo de celebração.”
Macamo foi, entretanto, directo ao avaliar os desafios que considera existirem no seio das Forças Armadas.
“De facto, as nossas Forças Armadas são um problema sério.”
O académico reconheceu ainda que existem questões relacionadas com a forma como as Forças Armadas são percepcionadas pelas populações, incluindo aspectos ligados à confiança entre as comunidades e as forças de defesa e segurança.
“Já também há coisas sobre a forma como elas são vistas pelas populações e como as Forças Armadas são vistas. Também já há coisas vistas, mas nenhuma dessas coisas invalida a celebração de um aniversário.”
A questão da confiança entre as populações e as forças de defesa e segurança surge num contexto em que a relação com as comunidades é apontada como um elemento importante para a resposta aos desafios de segurança.
Macamo foi questionado sobre a necessidade de uma relação de confiança directa entre as populações e as forças de defesa e segurança, tendo em conta a ideia de que uma relação próxima com as comunidades pode contribuir para o combate ao terrorismo.
A intervenção do académico colocou, assim, a celebração das Forças Armadas perante uma questão mais ampla: para além de assinalar a sua história, é necessário olhar para o seu desempenho, para a relação com as populações e para os desafios que continuam a marcar o país.
