Maputo (O Destaque) – O ministro da Saúde confessa que uma possível greve no sector será “um desastre” e pediu diálogo com os profissionais, que ameaçaram paralisação se o Governo não melhorar as condições de trabalho até ao fim de Março em curso.
Uma greve na saúde é um desastre, um autêntico desastre. Imagine só ficar 10 a 15 minutos sem atender um doente na sala de reanimação, um doente crítico, o que vai acontecer? Morte. Já aconteceu aqui várias vezes, familiares de colegas nossos perderam a vida. É ou não uma tragédia?”, questionou o ministro da Saúde, Ussene Isse.
Os profissionais de saúde ameaçam retomar a greve a partir de 1 de Abril exigindo do governo o melhoramento das condições de trabalho, o enquadramento profissional e o pagamento das horas extraordinárias.
Em causa estão as exigências da Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM), que há três anos exigem que o governo providencie medicamentos aos hospitais, face à necessidade, em alguns casos, de serem adquiridos pelos pacientes, bem como a aquisição de camas condignas.
Os profissionais exigem, igualmente, a resolução da “falta de alimentação”, o equipamento de ambulâncias com materiais de emergência e equipamentos de proteção individual não descartável, cuja ausência vai “obrigando os funcionários a suprirem com o seu bolso”, além de um melhor enquadramento no âmbito da Tabela Salarial Única (TSU), que, na sua implementação, criou descontentamento dos profissionais de saúde.
Respondendo a perguntas dos deputados do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) que visitaram o Ministério da Saúde (MISAU), o ministro disse que o governo tem “pautado pelo diálogo” com os profissionais da classe, com o objetivo de resolver as suas preocupações.
De recordar que a última greve dos médicos resultou em 1000 óbitos, segundo as estatísticas apresentadas pela APSUSM. Dados que, posteriormente, o governo refutou.
Na greve de 2024, no mandato de Armindo Tiago, o governo prometeu resolver às queixas dos profissionais.
