Quénia (O Destaque/Cortesia) — O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, defendeu esta quarta-feira, na capital queniana, o reforço de uma parceria estratégica entre Moçambique e Quénia como via para acelerar a transformação económica do continente africano.
Intervindo na abertura da Quarta Conferência Internacional de Investimento do Quénia, a convite do seu homólogo, William Samoei Ruto, o Chefe de Estado moçambicano destacou a necessidade de África avançar da identificação de oportunidades para a sua concretização, através de políticas consistentes, investimento estruturado e parcerias eficazes.
Segundo o Presidente, o actual momento exige a criação de um ambiente de confiança entre o sector público e privado, assente na estabilidade, previsibilidade e clareza regulatória. Sublinhou ainda a importância de desenvolver projectos viáveis e de promover alianças que integrem capital, tecnologia e conhecimento local.
Durante o seu discurso, Chapo reconheceu o papel do Quénia como um dos principais motores de inovação económica em África, com avanços assinaláveis nas áreas das tecnologias de informação, agricultura, infraestruturas e energias renováveis.
Chapo enquadrou esta cooperação no contexto mais amplo da implementação da Área de Livre Comércio Continental Africana, que considera um passo determinante para a criação de um mercado integrado e competitivo, com impacto no crescimento económico e na geração de emprego, sobretudo para a juventude.
Ao apresentar Moçambique como parceiro estratégico, Chapo destacou sectores prioritários para o investimento, incluindo agricultura e agroindústria, energias renováveis, indústria transformadora, economia digital, turismo, mobilidade sustentável e economia azul.
No sector energético, referiu o potencial do país para se afirmar como um polo regional, com recursos hidroeléctricos significativos, reservas de gás natural e minerais estratégicos, como o grafite. Já no domínio logístico, apontou os corredores de Maputo, Beira e Nacala como infraestruturas-chave para a ligação entre o interior do continente e o Oceano Índico.
O Presidente sublinhou também o compromisso do Governo com reformas destinadas a melhorar o ambiente de negócios, incluindo a simplificação administrativa, o reforço institucional e a promoção de parcerias público-privadas.
No plano bilateral, propôs o aprofundamento da cooperação entre os dois países em quatro áreas principais: integração logística entre a África Oriental e Austral, inovação digital e serviços financeiros, desenvolvimento de cadeias agro-industriais e parcerias em energias renováveis e mobilidade eléctrica.
Chapo defendeu ainda a criação de um eixo económico entre Maputo e Nairobi, com potencial para se tornar um corredor de comércio, investimento e inovação no continente.
Na sua intervenção, concluiu que África tem condições para se afirmar como um dos principais motores da economia global no século XXI, sublinhando que esse futuro dependerá da capacidade dos países africanos de transformar os seus recursos em valor acrescentado, através de liderança, visão estratégica e cooperação efectiva.
