Moçambique vence com único telefilme de ficção no programa CPLP audiovisual

Maputo (O Destaque) — Moçambique conquistou um lugar de destaque na terceira edição do Programa CPLP Audiovisual (PAV III), ao ver selecionado o telefilme de ficção “O Julgamento das Coisas Não Vistas”, realizado por J J Nota e produzido pela Afrocinemakers.

Entre 591 candidaturas submetidas por países de língua portuguesa, o projecto moçambicano destacou-se por ser a única obra de ficção de 52 minutos entre os telefilmes vencedores, num conjunto dominado por documentários.

O resultado foi anunciado a 18 de março de 2026, em Lisboa, no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, entidade promotora do programa. A obra receberá um financiamento de 65 mil euros para produção e tem estreia prevista para março de 2027, com difusão nas televisões públicas dos Estados-membros.

A selecção representa um momento relevante para o cinema nacional, que nas edições anteriores teve presença limitada na categoria de ficção. Desta vez, além de integrar a lista dos vencedores, Moçambique destacou-se pela singularidade da proposta.

No total, o PAV III selecionou 25 projectos, sete telefilmes e 18 curtas-metragens, abrangendo diferentes países lusófonos. Entre os telefilmes escolhidos, apenas um é de ficção narrativa, reforçando a distinção da proposta moçambicana.

“O Julgamento das Coisas Não Vistas” parte de uma situação invulgar: uma curandeira acusada de feitiçaria decide confessar às autoridades. A partir desse ponto, o enredo explora o confronto entre o sistema judicial formal e as estruturas tradicionais de crença, sem procurar resoluções simplistas.

Com recurso ao humor e ao absurdo, o filme propõe uma reflexão sobre identidade, autoridade e coexistência de diferentes formas de interpretar a realidade nas sociedades africanas contemporâneas.

O telefilme encontra-se em fase de pré-produção, com início das filmagens previsto para maio de 2026. A estreia mundial deverá ocorrer em março de 2027, alcançando audiências em vários continentes através da rede audiovisual da CPLP.

A produtora Afrocinemakers, sediada em Maputo, tem vindo a afirmar-se na criação de conteúdos de ficção, com trabalhos anteriores para televisão, e encara esta selecção como uma oportunidade para ampliar a presença do cinema moçambicano no espaço lusófono.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *