Muchanga diz que não faz sentido que administradores do Banco de Moçambique estejam a “mamar” milhões num país pobre

Maputo (O Destaque) – Na última semana, a praça pública ardeu com informações que vieram à tona sobre o alegado “tacho” dos administradores do Banco de Moçambique. Dados divulgados mostram, sem véus, que os nove membros da administração do banco central gastaram, em 2025, cerca de 301 milhões de meticais em salários.

Perante a polémica, o Destaque ouviu António Muchanga, que não poupou críticas aos valores pagos aos gestores da instituição.

Efectivamente, não faz sentido que os dirigentes dos bancos, das empresas, num país pobre, estejam a receber mordomias. Eu acho que tudo tem de ser proporcional, não é?”, questionou.

Confrontado com o argumento de que o Banco de Moçambique goza de autonomia, Muchanga respondeu que essa independência não pode servir de justificação para remunerações consideradas excessivas.

Há alguns que defendem que o Banco de Moçambique, ou Banco Central, tem autonomia. Mas não é autonomia para dividir dinheiro de qualquer maneira. Eles estão a trabalhar num país pobre. Então essa pobreza tem de fazer-se sentir neles também”, afirmou.

O político questionou ainda a dimensão dos recursos sob gestão da instituição, recorrendo a uma comparação com o sector da aviação.

Qual é o capital que eles estão a gerir? É a tal coisa que andaram a fazer nas Linhas Aéreas. Alguém que está a gerir dois aviões quer saber como é gerir cem aviões. O que é isso?”, criticou.

As declarações de Muchanga surgem num momento em que aumentam os questionamentos públicos sobre os níveis salariais e os benefícios atribuídos aos gestores de instituições do Estado, num contexto em que na região Moçambique está no auge da remuneração.

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