PR “Sonha” com um Banco de Moçambique a dialogar com o Moçambique real e não de ilusões

Maputo (O Destaque) – O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, quer que o Banco de Moçambique deixe de olhar apenas para os grandes indicadores económicos e passe a acompanhar, de forma mais próxima, os desafios enfrentados pelas empresas, produtores e cidadãos. O desafio foi lançado esta quarta-feira, em Maputo, durante a tomada de posse do novo Governador do Banco Central, Felisberto Dinis Navalha.

Para Chapo, a estabilidade macroeconómica continua a ser uma prioridade, mas não deve constituir um fim em si mesma. O Chefe do Estado defende que a estabilidade monetária e financeira deve criar condições para aumentar o crédito, a produção, o investimento, o emprego e as oportunidades económicas.

O Banco de Moçambique deve conhecer não apenas os indicadores macroeconómicos, mas a economia que existe por detrás dos números. Deve dialogar com o Moçambique real e trabalhar com base na economia real”, afirmou.

O Presidente entende que o principal desafio da nova liderança será encontrar um equilíbrio entre a estabilidade macroeconómica e o crescimento económico. Segundo Chapo, não se trata de escolher entre estabilidade e crescimento, mas de fazer da estabilidade uma plataforma para o desenvolvimento sustentável e inclusivo.

“O desafio não é escolher entre estabilidade e crescimento”, disse.

Na sua intervenção, o Presidente alertou que uma economia que produz abaixo das suas potencialidades, depende de uma base de exportações pouco diversificada e permanece exposta aos choques externos dificilmente poderá garantir uma estabilidade duradoura.

Queremos estabilidade, mas queremos, igualmente, que os benefícios dessa estabilidade sejam sentidos na economia real da República de Moçambique.

Divisas continuam no centro das preocupações

Entre os assuntos colocados sobre a mesa está o funcionamento do mercado cambial e o acesso às divisas, uma preocupação que afecta diferentes sectores da economia, sobretudo empresas que necessitam de moeda estrangeira para importar matérias-primas, equipamentos e outros bens.

Para Chapo, a resposta aos constrangimentos cambiais não deve limitar-se à procura de divisas, mas passar pelo aumento da capacidade produtiva do país.

O Presidente defende que Moçambique deve produzir mais, exportar mais, diversificar as exportações e transformar localmente os seus recursos.

A dívida pública interna foi outro dos desafios apontados. Chapo alertou que o recurso contínuo ao financiamento doméstico pode pressionar as taxas de juro, a liquidez e reduzir os recursos disponíveis para financiar o sector produtivo.

Por isso, desafiou o Governo, particularmente o Ministério das Finanças, a trabalhar em articulação com o Banco de Moçambique e o sistema financeiro para melhorar a gestão da liquidez pública, reduzir necessidades evitáveis de financiamento e conter o custo do endividamento interno.

Crédito deve chegar à economia produtiva

O Chefe do Estado defendeu também maior articulação entre as políticas fiscal, monetária e financeira. Na sua perspectiva, as decisões sobre financiamento do Estado não devem limitar o acesso ao crédito por parte da agricultura, indústria, turismo, transportes e logística, pequenas e médias empresas, jovens e mulheres empreendedoras.

A política fiscal, o financiamento interno, a liquidez e a política monetária estão profundamente interligados, em qualquer economia do mundo, daí que repito: quem dirige a política monetária, quem dirige a política fiscal e quem dirige a política financeira devem, permanentemente, conversar”, afirmou.

Sobre o crédito bancário, Chapo reconheceu que não cabe ao Banco Central determinar directamente a quem os bancos comerciais devem emprestar. Contudo, entende que o Banco de Moçambique deve contribuir para a construção de um sistema financeiro sólido, competitivo, transparente, íntegro, moderno e eficiente.

A questão, segundo o Presidente, é saber como acelerar a industrialização e desenvolver cadeias de valor nacionais se as empresas não conseguem financiar máquinas e equipamentos ou se os produtores enfrentam dificuldades para obter recursos destinados à produção.

 Navalha desafiado a modernizar o Banco Central

A transformação tecnológica do sistema financeiro também entrou nas prioridades apresentadas ao novo Governador. Chapo apontou a digitalização dos pagamentos, o crescimento das fintech e os riscos de cibersegurança como áreas que exigem uma resposta moderna do Banco de Moçambique.

O Presidente defendeu, neste contexto, o reforço da inclusão financeira e uma instituição preparada para acompanhar a evolução do sistema financeiro mundial.

Na tomada de posse de Felisberto Dinis Navalha, Chapo pediu ao novo Governador rigor, competência, integridade, profissionalismo e capacidade de diálogo.

Ao mesmo tempo, reconheceu os dez anos de liderança de Rogério Zandamela à frente do Banco de Moçambique, período marcado, segundo o Presidente, por vários choques económicos e financeiros, incluindo as pressões cambiais e inflacionárias de 2016, os ciclones Idai, Kenneth e Freddy, a pandemia da Covid-19 e os efeitos de conflitos internacionais.

Ao novo dirigente, deixou uma orientação clara:

Preserve aquilo que foi conquistado durante os 10 anos. Corrija aquilo que precisa de ser corrigido. Modernize aquilo que precisa de ser modernizada

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