Maputo (O Destaque) – O membro do Centro para Democracia e Desenvolvimento, CDD, André Mulungo, considerou positiva a decisão do Presidente da República, Daniel Chapo, de recuar na nomeação de Waldemar Fernando de Sousa para Governador do Banco de Moçambique, na sequência da contestação pública gerada pela escolha.
Em reacção ao jornal O Destaque, Mulungo sublinhou que, embora a sequência de decisões tenha gerado dúvidas sobre o processo, o recuo do Chefe de Estado constitui um sinal relevante, demonstrando o impacto da pressão exercida pela sociedade civil, incluindo o próprio CDD. A escolha inicial previa Waldemar de Sousa como Governador e Felisberto Dinis Navalha como Vice-Governador. Posteriormente, os despachos foram revogados, elevando Navalha a Governador e nomeando Benedita Maria Guimino como Vice-Governadora. Para o analista, o episódio vai além da troca de nomes, levantando questões cruciais sobre o rigor, a preparação e a avaliação prévia das nomeações para cargos de relevância nacional.
Com a assunção de Felisberto Navalha na liderança da instituição, André Mulungo destacou os principais obstáculos que o novo dirigente enfrentará, com destaque para a escassez de divisas. O acesso limitado a divisas continua a condicionar a atividade económica, exigindo soluções firmes da nova liderança para garantir a estabilidade macro-económica e o funcionamento equilibrado do mercado cambial. Adicionalmente, Mulungo recordou as reflexões deixadas pelo anterior Governador, Rogério Zandamela, sobre a urgência de blindar o Banco de Moçambique contra interferências externas, assegurando que o órgão atue com total autonomia face a pressões políticas e económicas.
O analista conclui que, embora o recuo presidencial prove a eficácia do escrutínio público e da participação do cidadão, o foco deve inclinar agora na previsibilidade, na independência e na capacidade técnica das instituições públicas para responderem aos problemas concretos da economia nacional.
