Maputo (O Destaque) – O eventual regresso de Umaro Sissoco Embaló à Guiné-Bissau não deverá resultar em qualquer responsabilização ou implicação no plano internacional, segundo o Pesquisador e Analista de Política Internacional Jaime Saia, em entrevista ao Jornal O Destaque.
Questionado sobre as possíveis responsabilidades das autoridades e as implicações do eventual regresso de Sissoco Embaló, tendo em conta o contexto político e militar que marcou a sua saída do país, Jaime Saia foi directo ao afirmar que não deverá acontecer qualquer consequência nesse âmbito.
“É claro que não vai acontecer nada”, afirmou o analista.
Jaime Saia explicou que, caso tivesse ocorrido um golpe de Estado e fossem formalmente identificadas responsabilidades relacionadas com a tomada do poder, poderiam ser adoptadas medidas contra os envolvidos. Na sua análise, porém, a ausência de responsabilização poderá levantar questões sobre a natureza dos acontecimentos e sobre uma eventual existência de entendimentos entre Sissoco Embaló e a ala militar.
“Se fosse, de facto, um golpe, o verdadeiro golpe, naturalmente iam tentar responsabilizar todas aquelas pessoas que fizeram com que ocorresse golpe”, explicou.
O analista acrescentou que uma eventual responsabilização do antigo Presidente dependeria também da posição assumida pela estrutura militar actualmente no poder e da existência de elementos que pudessem sustentar acusações relacionadas com a sua governação.
Para Jaime Saia, caso não sejam tomadas medidas contra Sissoco Embaló, isso poderá alimentar a interpretação de que existiu uma combinação entre o antigo Presidente e a ala militar.
“Mas, se isso não acontecer, é sinal de que, de facto, houve uma combinação entre o Maurício Sissoké Embalô com a ala militar”, afirmou.
Sobre o eventual regresso de Sissoco Embaló à Guiné-Bissau, Saia considera ainda que a presença do antigo Presidente poderá continuar a ter impacto político, mesmo que este procure manter uma postura discreta.
A DW África noticia, entretanto, que cresce nas redes sociais uma campanha pelo regresso de Umaro Sissoco Embaló, com o lema “Queremos use de volta”. Os apoiantes defendem o retorno do antigo chefe de Estado, enquanto sectores da sociedade civil alertam para a possibilidade de o seu regresso aumentar a tensão política no país, numa altura em que se aproximam as eleições.
