Nampula (O Destaque) — Passada uma semana do fim forçado da greve, o clima de revolta voltou a tomar conta dos trabalhadores do Conselho Autárquico de Nacala-Porto na manhã desta quinta-feira. A insatisfação, longe de ser aplacada pela ordem de desocupação imposta pela Procuradoria Distrital da República, reacendeu-se com críticas duras à actuação da justiça e à gestão do erário público por parte do Município.
Os funcionários, que viram a paralisação terminada por via judicial, acusam a Procuradoria de agir com parcialidade. Segundo o representante da classe, a instituição foi célere a considerar a greve como um crime, mas fecha os olhos para as irregularidades cometidas pela edilidade, que acumula dois meses de salários em atraso e caminha para o terceiro mês sem honrar os compromissos laborais. “Queremos uma Procuradoria que defenda as duas partes. Não aceitamos ameaças enquanto o nosso pão está preso. Eles só vêem crime no nosso desespero, mas não vêem crime no facto de o patrão não pagar”, desabafou um dos manifestantes.

A situação financeira dos servidores agravou-se esta semana. O Município disponibilizou apenas o pagamento referente a um único mês, um gesto que caiu como uma gota no oceano das necessidades. Para aumentar o desespero, os trabalhadores afirmam que o pouco dinheiro depositado nem sequer chegou a aquecer os bolsos, tendo sido imediatamente abocanhado pelos bancos para a liquidação de dívidas e créditos pendentes.
Enquanto os bolsos dos funcionários permanecem vazios, os cofres da autarquia mostram fôlego para outras frentes. Num contraste que inflama ainda mais os ânimos, a edilidade deu início, na manhã desta mesma quinta-feira, ao lançamento da primeira pedra para a construção de 6 quilómetros de estrada asfaltada na Avenida Samora Machel. O investimento anunciado é de trezentos e sete milhões, novecentos e setenta e seis mil, quatrocentos e trinta e seis meticais e noventa centavos.
Procurados pela reportagem de Radio Watana para esclarecer as acusações de parcialidade, os responsáveis da Procuradoria Distrital de Nacala-Porto limitaram-se a prometer um pronunciamento oficial apenas para a próxima segunda-feira. Do lado do Município de Nacala, o silêncio continua a ser a única resposta. A administração, que havia prometido prestar esclarecimentos na segunda-feira passada, mantém-se incontactável e em “jejum de silêncio” perante a imprensa, mesmo após as novas insistências feitas nesta quarta-feira (15).
