Europa na mira de Teerão: Irão acusa ocidente de alimentar a guerra que incendia o Médio Oriente

Maputo (O Destaque com Agências Internacionais) — A tensão internacional continua a escalar a um ritmo alarmante. Em pleno cenário de confrontos intensos no Médio Oriente, o governo do Irão apontou duras críticas aos países europeus, acusando-os de terem criado o ambiente político que acabou por abrir caminho para a guerra desencadeada pelos Estados Unidos e por Israel contra Teerão.

Durante uma conferência de imprensa realizada esta segunda-feira, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghai, afirmou que a posição assumida pelos países europeus nos últimos anos acabou por incentivar a escalada militar. Segundo ele, as nações do continente europeu falharam ao não se oporem firmemente às pressões e decisões de Washington no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, sobretudo quando foram discutidas novas sanções contra o Irão em 2025.

Para Teerão, essa postura diplomática terá encorajado os aliados ocidentais a avançarem com operações militares. “Essas decisões abriram espaço para que os Estados Unidos e o regime sionista continuassem a cometer agressões”, declarou Baghai, numa crítica direta à actuação de Israel no conflito.

A guerra, que começou após uma ofensiva conjunta de forças norte-americanas e israelitas contra território iraniano no final de fevereiro, já dura cerca de dez dias e tem provocado uma onda de destruição que ultrapassa fronteiras.

Estima-se que cerca de 1.300 pessoas tenham morrido, na sua maioria em território iraniano, embora vítimas tenham sido registadas em mais de uma dezena de países.

O conflito ganhou contornos ainda mais dramáticos após a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, que governava desde 1989 e foi atingido nas primeiras horas da ofensiva. O poder religioso e político acabou por passar para o seu filho, Mojtaba Khamenei, numa sucessão que gerou tensão adicional dentro e fora do país.

Entretanto, os efeitos da guerra já se fazem sentir na economia mundial. O preço do petróleo disparou para níveis superiores a 100 dólares por barril, provocando quedas nas bolsas internacionais e reacendendo temores de uma nova crise inflacionista global.

Diante da gravidade da situação, os ministros das Finanças do G7, grupo que reúne algumas das maiores economias do planeta, convocaram uma reunião de emergência para discutir possíveis medidas, incluindo a libertação de reservas estratégicas de petróleo para estabilizar o mercado energético.

Com acusações cruzadas, líderes mortos e mercados em turbulência, o conflito no Médio Oriente ameaça transformar-se numa crise internacional de grandes proporções, enquanto o mundo observa com crescente apreensão os próximos movimentos das potências envolvidas.

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