Maputo (O Destaque/Cortesia) — O Estreito de Ormuz, uma das mais importantes artérias energéticas do mundo, está a tornar-se palco de uma estratégia inédita por parte do Irão: a possível implementação de um sistema de portagens para navios que pretendam atravessar à moda “Nhonga” na região.
Com controlo reforçado sobre a passagem marítima, autoridades iranianas têm restringido a circulação de embarcações associadas aos Estados Unidos e a Israel, permitindo apenas travessias limitadas. O impacto já é visível: o tráfego marítimo encontra-se significativamente reduzido há cerca de quatro semanas, num contexto de tensão crescente.

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Segundo informações divulgadas pela agência Fars, ligada ao regime iraniano, está em preparação um quadro legal que prevê a cobrança formal de taxas aos navios. A proposta inclui a criação de um sistema organizado de “portagem marítima”, no qual as embarcações pagariam para garantir passagem segura numa das rotas mais estratégicas do planeta.
Estima-se que cerca de 20% do petróleo e gás consumidos globalmente atravessem diariamente o Estreito de Ormuz, o que transforma qualquer alteração no seu funcionamento numa questão de impacto económico mundial. Analistas alertam que a introdução de taxas poderá aumentar os custos de transporte e, consequentemente, pressionar os preços internacionais da energia.
Há ainda indícios de que algumas cobranças já estejam a ser feitas de forma informal, com pagamentos realizados em moeda chinesa, sinalizando uma possível reconfiguração das dinâmicas financeiras na região.
