Maputo (O Destaque & Agências Internacionais) — O mundo católico foi surpreendido, ontem, segunda-feira por uma das declarações mais fortes já feitas por um líder da Igreja Católica sobre a escravatura. O Papa Leão XIV reconheceu publicamente que a Igreja demorou a condenar o sistema esclavagista e pediu “perdão sincero” pela cumplicidade histórica da instituição com práticas de subjugação humana.
A admissão surge na encíclica Magnifica Humanitas, onde o pontífice norte-americano assume que, em determinados períodos da história, a Sé Apostólica Romana chegou a legitimar e regular formas de escravização de povos considerados “infiéis”, muitas vezes a pedido de monarcas e impérios da época.
“Não podemos negar nem minimizar o atraso com que a Igreja e a sociedade condenaram o flagelo da escravatura”, declarou o Papa, classificando o passado como “uma ferida na memória cristã”.
A posição do líder católico representa uma mudança de tom rara e profunda dentro da estrutura da Igreja, ao reconhecer não apenas erros individuais, mas também responsabilidades institucionais acumuladas ao longo de séculos.
Na mesma encíclica, Leão XIV alargou a reflexão para os tempos modernos, alertando para novas formas de escravatura associadas à economia digital e ao uso descontrolado da inteligência artificial. O Papa defendeu que a tecnologia não pode transformar seres humanos em instrumentos descartáveis nem aprofundar desigualdades sociais.
O pontífice criticou ainda o conceito de “guerra justa”, frequentemente utilizado para legitimar conflitos armados, afirmando que o mundo atravessa uma “cultura violenta do poder”. Sem mencionar directamente os Estados Unidos, as declarações voltam a colocá-lo em rota de divergência com posições defendidas pelo Presidente Donald Trump sobre questões militares e geopolíticas.
A encíclica já está a provocar fortes debates dentro e fora da Igreja, sobretudo entre historiadores, movimentos sociais e sectores conservadores do catolicismo, que consideram a declaração um dos pronunciamentos mais marcantes do novo pontificado.
