Navio ostenta bandeira de Moçambique, mas Estado rejeita a “paternidade”: MDM exige esclarecimentos e alerta que a soberania nacional está em causa

 Maputo (O Destaque) – O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) manifestou profunda preocupação com o incidente envolvendo um navio que ostentava a bandeira nacional e que foi alegadamente neutralizado pelas forças norte-americanas no Golfo de Omã. Para o partido, o caso levanta sérias dúvidas sobre a utilização dos símbolos nacionais e exige uma resposta urgente do Governo.

Em declarações à imprensa, o porta-voz do MDM, Ismael Nhacucue, afirmou que o partido encara o episódio com grande inquietação, sublinhando que a utilização da bandeira nacional numa embarcação envolvida num incidente internacional coloca em causa a imagem e a soberania do Estado moçambicano.

Em relação à questão do navio com bandeira moçambicana que sofreu um incidente em águas internacionais, primeiro é importante referir que, como partido, olhamos para isto com bastante preocupação. Primeiro porque é um suposto navio com bandeira nacional, ostenta a soberania do povo moçambicano, e isso deixa-nos bastante preocupados no sentido de percebermos como é que este navio com uma bandeira moçambicana foi parar em águas internacionais e tenha sofrido este incidente”, declarou.

Segundo Nhacucue, a situação torna-se ainda mais delicada pelo impacto que poderá ter nas relações internacionais do país.

É mais preocupante ainda porque um navio com bandeira nacional a ser atacado significa também, do ponto de vista da cooperação e da diplomacia, que nós não estamos a fazer o nosso TPC como deve ser. Primeiro é preciso entender como é que o navio ostenta uma bandeira nacional e depois compreender em que circunstâncias foi atacado, o que estava a fazer naquela zona de conflito e como tudo isto aconteceu”, afirmou.

O porta-voz acrescentou que o caso merece uma investigação rigorosa, sobretudo devido aos desafios que Moçambique enfrenta no combate ao crime organizado.

Isto preocupa-nos porque, como é sabido, Moçambique é também um corredor do tráfico de drogas. Não sabemos o que este navio transportava e é preciso haver atenção a partir daí”, referiu.

Na óptica do MDM, o episódio poderá igualmente afectar a credibilidade diplomática do país.

Esta situação pode não criar problemas práticos imediatos, mas pode fazer tremer a nossa diplomacia. Sendo este um caso complexo, envolvendo uma bandeira soberana como a de Moçambique, é preciso que o Governo venha dar explicações plausíveis e concretas sobre o que efectivamente aconteceu”, defendeu.

Nhacucue considera ainda que a Assembleia da República deve acompanhar de perto o assunto.

É importante que os deputados também intervenham para ajudar a esclarecer o que está a acontecer”, disse.

O dirigente do MDM reagiu igualmente ao esclarecimento do Instituto de Transporte Marítimo (ITRANSMAR), que afirmou que a embarcação não consta do Registo Nacional de Navios de Moçambique.

O facto de o ITRANSMAR afirmar que o navio não está registado em Moçambique só agrava ainda mais a situação, porque como é possível um navio não registado em Moçambique ostentar a bandeira da República de Moçambique?”, questionou.

Para o partido, o Executivo deve agir rapidamente para proteger os símbolos nacionais e a credibilidade do Estado.

“É preciso uma intervenção urgente do Governo para esclarecer esta situação, porque a soberania moçambicana é que está em causa. Não podem existir embarcações, quer ao nível nacional quer internacional, a navegar com a bandeira da República de Moçambique e a estarem envolvidas neste tipo de incidentes”, afirmou.

Na parte final da sua intervenção, Ismael Nhacucue recordou que a zona onde ocorreu o incidente é marcada por conflitos e insistiu que todas as circunstâncias devem ser devidamente esclarecidas.

Há uma guerra clara naquela zona. Os navios têm consciência de que não podem passar por lá e este navio tentou passar. Há muitas questões que precisam de ser esclarecidas, sobretudo relacionadas com o eventual tráfico de drogas, transporte ilegal de mercadorias e a utilização indevida da nossa bandeira, caso isso se confirme. Tudo isto deve ser rapidamente explicado pelo Executivo moçambicano“, concluiu.

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