Maputo (O Destaque) — Numa resposta directa à crescente complexidade das ameaças à segurança regional, Moçambique e o Zimbabwe preparam-se para proteger as suas fronteiras e redefinir as estratégias de defesa conjunta. O Ministro da Defesa Nacional de Moçambique, Cristóvão Artur Chume, e a sua homóloga zimbabweana, Oppah Muchinguri-Kashiri, defenderam, ontem segunda-feira, em Harare, a revisão e actualização urgente do Memorando de Entendimento que rege a cooperação bilateral no sector.
O encontro, inserido na visita de trabalho do governante moçambicano ao país vizinho, colocou em cima da mesa a necessidade de adaptar os mecanismos legais e operacionais aos actuais desafios de segurança que apoquentam ambas as nações e a região da África Austral.
Durante as conversações oficiais, as duas delegações sublinharam o carácter alarmante e a sofisticação das redes criminosas transnacionais. Fenómenos como os crimes transfronteiriços, o tráfico de seres humanos, a migração ilegal e o contrabando foram apontados como prioridades de combate. Para estancar estas actividades ilícitas, os ministros preconizam o reforço imediato dos mecanismos de coordenação operacional, a optimização da partilha de informação de inteligência e a realização de acções conjuntas no terreno.
Como pilar desta nova dinâmica, as partes manifestaram o firme interesse em revitalizar o Comité Conjunto Permanente de Defesa e Segurança (CCPDS). O objectivo é transformar este órgão numa plataforma mais musculada, activa e eficaz no acompanhamento e monitoria da implementação dos acordos já firmados.
A cooperação académica e técnico-militar também mereceu especial destaque. Moçambique e o Zimbabwe pretendem intensificar a formação e capacitação de quadros militares, dando continuidade e expandindo os programas de intercâmbio entre as instituições de ensino superior militar de ambos os países.
Na sua intervenção, Cristóvão Artur Chume vincou que esta deslocação a Harare constitui uma soberba oportunidade para renovar compromissos e desenhar acções concretas que aprofundem os laços bilaterais. Por sua vez, Oppah Muchinguri-Kashiri reiterou o empenho inabalável do Zimbabwe em continuar a robustecer as relações históricas, políticas e militares que unem os dois povos irmãos.
Em jeito de homenagem e prossecução da agenda, a comitiva moçambicana depositou uma coroa de flores no Monumento dos Heróis Nacionais, em Harare. O programa incluiu ainda visitas guiadas à Universidade Nacional de Defesa do Zimbabwe e à prestigiada Escola de Estado-Maior, onde a delegação nacional se inteirou das boas práticas e avanços nas áreas de formação militar superior e investigação estratégica.
