Maputo (O Destaque) – O Banco de Moçambique decidiu manter a taxa de juro de política monetária (MIMO) em 9,25%, numa medida que visa preservar a estabilidade macroeconómica, num contexto em que persistem riscos associados à inflação, ao endividamento público e às incertezas da economia internacional.
O anúncio foi feito esta quarta-feira pelo Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, durante a conferência de imprensa que se seguiu à reunião do Comité de Política Monetária (CPMO).
Segundo Zandamela, a decisão de manter a taxa MIMO resulta da redução da liquidez em meticais no sistema bancário, decorrente do aumento do coeficiente de reservas obrigatórias, apesar de continuarem elevados os riscos que podem influenciar o comportamento da inflação.
Durante a apresentação, o governador assegurou que o sistema financeiro nacional continua sólido.
“O sistema financeiro nacional mantém-se estável e resiliente.”
De acordo com o Banco de Moçambique, a inflação anual subiu de 7,2% em Maio para 7,5% em Junho de 2026, prevendo-se que, no curto prazo, os preços continuem a aumentar devido aos efeitos indirectos da subida dos combustíveis e da inflação importada.
Entretanto, Rogério Zandamela afirmou que a expectativa é de que, no médio prazo, a inflação volte a um único dígito, beneficiando da estabilidade cambial e da previsão de abrandamento dos preços internacionais dos produtos energéticos e alimentares.
No plano económico, o governador explicou que, excluindo o gás natural liquefeito, a actividade económica registou um crescimento de 1,1% no primeiro trimestre de 2026, contra 4,8% no último trimestre de 2025. Ainda assim, o Banco Central acredita numa recuperação moderada da economia, impulsionada pela implementação de novos projectos estratégicos.
Apesar desse optimismo, Zandamela alertou para o elevado nível da dívida pública e dos atrasados de pagamentos internos e externos, factores que continuam a afectar o funcionamento normal do mercado financeiro.
Segundo os dados apresentados, a dívida pública interna atingiu 538,3 mil milhões de meticais, representando um aumento de 63,7 mil milhões de meticais em relação a Dezembro de 2025.
No sector bancário, o governador destacou que os indicadores continuam confortáveis, referindo que os testes de esforço demonstram capacidade suficiente para absorver eventuais choques económicos e garantir a liquidez do sistema.
Outro dos aspectos destacados foi o crescimento da inclusão financeira. Entre Dezembro de 2024 e Maio de 2026, o número de pontos de acesso aos serviços financeiros aumentou 47%, impulsionado principalmente pela expansão dos agentes de moeda electrónica, enquanto o número de contas electrónicas cresceu 18%.
Para Rogério Zandamela, estes resultados demonstram que a digitalização dos serviços financeiros continua a aproximar cada vez mais cidadãos do sistema bancário.
O governador revelou ainda que o sistema de pagamentos instantâneos MetiX registou uma evolução significativa desde a sua implementação.
“Desde a entrada em produção do MetiX, o número de transferências triplicou para mais de 11 mil operações por dia.”
No mercado cambial, o Banco de Moçambique observou uma maior disponibilidade de divisas, sustentada sobretudo pela indústria extractiva.
Durante o primeiro semestre de 2026, as compras de moeda estrangeira pelos bancos comerciais ascenderam a 4,24 mil milhões de dólares, enquanto as vendas atingiram 4,6 mil milhões de dólares. Segundo Zandamela, cerca de 50% das divisas comercializadas foram absorvidas pelo sector dos combustíveis.
Apesar dos indicadores positivos, o governador advertiu que continuam a existir riscos significativos para a economia nacional, destacando os impactos da subida dos combustíveis, as consequências das inundações registadas no primeiro trimestre, o agravamento do risco fiscal, o aumento da dívida pública, os choques climáticos e as incertezas provocadas pelos conflitos geopolíticos no Médio Oriente.
Perante este cenário, Rogério Zandamela garantiu que o Banco de Moçambique continuará a ajustar a política monetária em função da evolução dos riscos e da inflação, mantendo como prioridade a estabilidade financeira e a confiança na economia nacional.
