Sonho europeu termina em desilusão para migrantes marroquinos

Maputo (O Destaque) – O analista de assuntos internacionais, Roberto Aleluia, considera que o regresso voluntário de cerca de 54 mil migrantes a Marrocos, depois da entrada massiva no enclave espanhol de Ceuta, demonstra o choque entre o sonho de alcançar a Europa e a dura realidade vivida por milhares de pessoas.

Em entrevista cedida ao Jornal O Destaque,Roberto Aleluia explicou que muitos migrantes acreditavam que, ao chegarem a território europeu, encontrariam rapidamente emprego, abrigo e melhores condições de vida. Contudo, depararam-se com centros de acolhimento sobrelotados, dificuldades de assistência e obstáculos para regularizar a sua situação migratória.

Segundo o analista, a demora na resposta humanitária contribuiu para o agravamento da crise. “Quando a ajuda chega tarde, a crise transforma-se em fome e miséria”, afirmou, defendendo que a União Europeia deve criar mecanismos permanentes de resposta rápida para situações de emergência nas suas fronteiras.

Na sua análise, o especialista entende que o episódio evidencia a necessidade de reforçar a cooperação entre Marrocos, Espanha e a União Europeia, através de maior investimento no norte de Marrocos, da criação de vias legais de migração laboral e do combate às redes de tráfico de seres humanos.

Para Roberto Aleluia, a redução da migração irregular passa por atacar as suas causas profundas, apostando na criação de emprego, na formação profissional e no desenvolvimento económico dos países de origem.

O analista defende igualmente que Moçambique pode retirar importantes ensinamentos deste episódio, reforçando a informação prestada aos cidadãos sobre os riscos da migração irregular, negociando mais acordos de migração laboral e criando programas de reintegração para os cidadãos que regressam ao País.

Dirigindo-se à juventude moçambicana, Roberto Aleluia alertou que a migração irregular pode traduzir-se em exploração, ausência de direitos, dificuldades de acesso à saúde e ao emprego formal, além de prejuízos financeiros para muitas famílias que investem todas as suas poupanças em viagens organizadas por redes de tráfico.

Na sua opinião, o investimento no emprego, na formação e na criação de oportunidades para os jovens continua a ser a forma mais eficaz de reduzir a pressão migratória.

A concluir a entrevista concedida ao Jornal O Destaque, Roberto Aleluia resumiu a principal lição da crise de Ceuta: “A migração não se resolve com muros nem apenas com discursos. Resolve-se com dignidade na origem, legalidade na rota e humanidade na fronteira.”

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