Por: Ernesto Pagula
Há surpresas. Há mudanças. Até, se preferirmos dizer: “a boa nova” anunciada pelo Presidente Chapo na 11.ª Reunião de Quadros. Chapo disse que a FRELIMO não é um “santuário de criminosos”. Fez jus à sua pregação.
Estas mudanças repentinas resgatam, sem dúvidas, o “sermão” lançado no seio dos quadros.
Chapo disse que ia abanar a árvore até que o fruto podre caísse. E, de facto, a árvore está a ser abanada. Bem na madrugada, Waldemar Sousa caiu, sem antes nadar nos grandes mares do Banco de Moçambique.
Waldemar era conotado pela imprensa e pela sociedade civil por ter um passado sombrio no caso das dívidas ocultas.
A caça às bruxas começou. E há que, pela luz da boa nova, fazer sair o que estava oculto para o conhecido.
Uma nova era é aquela que coloca de lado os que estavam destinados ao apodrecimento total, até que, inevitavelmente, caíssem.
Mas há uma pergunta que fica a pairar no ar: será esta apenas uma mudança de nomes ou o princípio de uma verdadeira limpeza no aparelho do Estado? Porque, se a árvore está mesmo a ser abanada, não basta que caiam alguns frutos; é preciso olhar para os galhos, para os troncos e, sobretudo, para as raízes que alimentam aquilo que há muito se tornou motivo de desconfiança.
A decisão de revogar uma nomeação antes mesmo de a mesma produzir plenamente os seus efeitos políticos e institucionais pode ser lida como um sinal de que o Presidente quer assumir o controlo das suas próprias escolhas. É, também, uma demonstração de que as nomeações não devem ser vistas como actos irreversíveis quando surgem elementos que recomendem uma reavaliação.
Navalha entra, assim, pela porta grande, carregando sobre os ombros não apenas a responsabilidade de dirigir o Banco de Moçambique.
E, no fim, a “boa nova” chegou…verdadeiramente boa aquela que não fica refém de apenas discursos, despachos ou nas metáforas da árvore.
O povo quer ver os frutos. Quer instituições mais credíveis, decisões mais transparentes e responsáveis que respondam pelos seus actos. Se Chapo prometeu abanar a árvore, agora resta saber quantos frutos cairão…
