Maputo (O Destaque) – O partido RENAMO que parece perdido nos últimos tempos procura agora preparar um sucessor à altura, e Ossufo Momade propõe Geraldo Carvalho.
Muchanga reagiu ao O DESTAQUE dizendo que o actual líder da RENAMO não tem autoridade para decidir quem deve sucedê-lo, defendendo que essa escolha deve caber aos membros do partido através de um congresso transparente.
António Muchanga considera que Ossufo Momade não pode determinar o futuro da RENAMO nem indicar quem deve assumir a liderança do partido, defendendo que o próximo congresso deve ser realizado sem manipulação e com a participação dos membros.
“Quando alguém lidera partido, é como um pastor ou um bispo de uma igreja, deixa de ser da família, passa a ser do povo”, afirmou Muchanga, reagindo às declarações de Ossufo Momade sobre o futuro da RENAMO.
Muchanga criticou ainda a postura do líder do partido em relação aos membros que fazem críticas públicas à direcção, defendendo que não cabe ao presidente determinar como cada membro deve posicionar-se ou se deve abandonar o partido.
“Não cabe a ele indicar que ele tem de se vestir, tem de deixar o partido e fazer o partido proteger. Portanto, ainda que ele tenha essa protecção, essa protecção pode ser ignorada pela vontade dos membros da arma que estarão no congresso”, declarou.
Para Muchanga, a prioridade deve ser a realização de um congresso transparente, onde os membros possam decidir livremente sobre o futuro da organização.
“Por isso que nós queremos um congresso transparente, onde não há manipulação. Porque se ele não conseguir fazer isso, o barulho nunca vai parar”, afirmou.
Muchanga questiona convocatória do Conselho Nacional
O político também levantou dúvidas sobre o processo de preparação das próximas decisões internas da RENAMO, afirmando que, até ao momento, não existe uma convocatória formal do Conselho Nacional.
“Hoje é dia 8. Até aqui não há convocatórias do Conselho Nacional. O que ele fez foi anúncio, não há convocatória. Ninguém sabe onde vai ser realizada, que temas se vai tratar, qual é o pensamento dele”, disse.
Muchanga entende que, sem conhecer a visão e os procedimentos definidos pela liderança, os membros não conseguem avaliar nem controlar devidamente o presidente do partido.
“RENAMO ganhou mais de 20 autarquias”
Questionado sobre a situação da RENAMO depois da morte de Afonso Dhlakama, Muchanga rejeitou a ideia de que o partido tenha simplesmente perdido força política, lembrando os resultados alcançados nas eleições autárquicas.
“RENAMO evoluiu muito a nível de autarquias. Nós ganhamos mais de 20 autarquias”, afirmou.
No entanto, questionou o destino dessas conquistas e defendeu a necessidade de um balanço das eleições autárquicas e gerais.
“As 18 autarquias foram para onde? O que aconteceu? É por causa disso que ele não quer fazer balanço? Nós ainda não fizemos balanço das eleições autárquicas. E pior, das eleições gerais”, questionou.
Muchanga afirmou ainda que existem problemas internos relacionados com recursos e funcionamento do partido, apontando, entre outros aspectos, dificuldades enfrentadas pela secretária-geral para realizar deslocações.
“A secretária-geral não tem dinheiro para fazer deslocações. Mas há algumas pessoas que têm dinheiro para fazerem tudo o que querem no partido”, declarou.
Para Muchanga, a discussão sobre a liderança da RENAMO deve, por isso, ser conduzida dentro das estruturas do partido e submetida à decisão dos membros no congresso.
