Maputo (O Destaque) – O analista político Dércio Alfazema afirmou que a primeira convenção nacional do partido ANAMOLA, agendada para os dias 20 a 23 do corrente mês, poderá revelar fragilidades na democracia interna da formação política, liderada por Venâncio Mondlane.
Falando em entrevista ao Destaque, Alfazema comentou a candidatura única de Venâncio Mondlane à presidência do partido, considerando que o processo não resulta de consenso democrático, mas sim de um ambiente interno limitado à concorrência.
Segundo o analista, a candidatura única “representa uma simulação de democracia”, alegando que figuras alternativas no seio do partido não tiveram espaço real para se apresentar ao processo eleitoral interno.
“Existiam concorrentes internos que defendiam a abertura para várias candidaturas, mas isso não aconteceu. O que se vê é uma estrutura centrada num único líder, onde o partido gira em torno dele”, afirmou.
Alfazema sustentou ainda que o ANAMOLA funciona mais como um movimento personalista do que como uma organização partidária consolidada, com estruturas institucionais independentes.
“Na prática, o partido é um envolvimento em torno de uma figura central. As decisões estratégicas e organizacionais parecem depender exclusivamente dessa liderança”, acrescentou.
O analista comparou ainda a atual dinâmica interna do partido com a trajetória política de Venâncio Mondlane em outras formações políticas, defendendo que há um padrão de crítica à falta de democracia interna que, agora, não se reflete na sua própria organização partidária.
O Analista conclui dizendo que, “ANAMOLA não é um partido é um movimento”.
