Maputo (O Destaque) – O jornalista e analista Alexandre Chiure reagiu com preocupação aos acontecimentos registados esta terça-feira na cidade de Tete, onde dois cidadãos perderam a vida e uma outra pessoa ficou ferida durante confrontos entre agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) e manifestantes ligados ao sector dos mototáxis.
Os incidentes ocorreram durante uma greve de mototaxistas que degenerou em confrontos violentos, culminando com disparos que atingiram manifestantes.
Em declarações ao jornal O Destaque, Alexandre Chiure defendeu que a missão da polícia deve ser a manutenção da ordem pública e a protecção dos cidadãos, e não o recurso à força letal contra manifestantes.
“A polícia não foi criada para matar. O seu papel é proteger vidas, garantir a segurança e gerir situações de conflito dentro dos limites da lei”, defendeu Chiure.
Para o analista, a morte de cidadãos durante manifestações levanta sérias questões sobre os métodos utilizados na reposição da ordem e reforça a necessidade de maior profissionalismo e contenção por parte das forças de segurança.
Chiure considera que os acontecimentos de Tete devem servir de reflexão para as autoridades e para a sociedade, defendendo a aposta no diálogo como principal mecanismo para resolver conflitos sociais e laborais.
Chiure comentou igualmente a recente decisão do Município de Angoche de introduzir uma taxa diária de 10 meticais para os operadores de táxi-bicicleta. Na sua visão, embora os municípios necessitem de arrecadar receitas para o seu funcionamento, é importante que qualquer cobrança seja acompanhada de benefícios concretos para os contribuintes.
O analista entende que medidas fiscais devem ser implementadas com transparência e acompanhadas por melhorias nos serviços públicos, de modo a evitar o sentimento de injustiça entre os trabalhadores que dependem de actividades informais para o seu sustento.
Para Chiure, tanto os acontecimentos de Tete como o debate em torno da nova taxa em Angoche demonstram a necessidade de uma maior aproximação entre as instituições públicas e os cidadãos, privilegiando o diálogo em vez da confrontação.
