Maputo (O Destaque) – O deputado da bancada parlamentar da FRELIMO, Egídio Vaz, considera que a actual discussão sobre os preços dos combustíveis deve ser analisada para além das tensões internacionais, defendendo que as causas da pressão sobre o mercado nacional estão ligadas sobretudo a fatores económicos internos.
Comentando o impacto das dinâmicas internacionais no sector energético, Vaz recordou que, embora se discuta a normalização do mercado global, a realidade nacional apresenta desafios próprios.
“Agora, está mais do que claro que não há problema de combustível, tanto mais que existem fontes para além do Uruguai, mas tem muito mais outros sítios. O próprio Irã foi liberto de fontes para poder vender o combustível, o que significa que aumenta a disponibilidade. Dois, existem muitos combustíveis, muitos vasos pelo oceano disponíveis para vender os combustíveis, e não é esse o problema. O nosso problema é um pouco mais profundo, é o problema económico”, afirmou.
Segundo o deputado, o país enfrenta dificuldades relacionadas com a gestão cambial, inflação e formação dos preços de mercado.
“Nós estamos a gerir a taxa de câmbio já lá vão mais de sete anos. É um câmbio administrativo, mas o custo para a manutenção desse combustível está a ser muito para além da nossa capacidade. As coisas mais importantes que nós temos que encontrar são as fontes para ajustar os preços do mercado. Dois, precisamos de controlar a inflação. Três, precisamos de controlar o combustível”, declarou.
Egídio Vaz acrescentou que os combustíveis actualmente disponíveis nos terminais nacionais foram adquiridos em momentos distintos, o que influencia a estrutura de custos.
“Nós temos nas nossas terminais oceânicos combustíveis, mas não foi adquirido a partir do 1 de julho ao mesmo preço como se fizesse em janeiro. Então, é sim verdade que teremos que ajustar o preço dos combustíveis, porque de resto este país é o país com o mais baixo preço de combustível da região”, sustentou.
Questionado sobre os subsídios anunciados pelo Governo para os transportadores de passageiros, num contexto em que associações do sector alegam não ter recebido qualquer apoio, o parlamentar foi categórico ao defender que este mecanismo não resolve os problemas estruturais.
“Se eles dizem que não receberam subsídios, então os subsídios só servem para alimentar esses cartéis. Qual é a vantagem de o cidadão não saber que a sua vida foi melhorada com o subsídio?”, questionou.
Numa das posições mais contundentes da entrevista, Egídio Vaz considerou que os operadores de transporte semi-colectivo não devem continuar a depender de apoios estatais.
“Os chapeiros não merecem subsídios”, defendeu.
Para o deputado, a solução para a crise passa pela estabilização dos indicadores económicos e pelo reforço da capacidade do país em gerar divisas.
“O problema não são os combustíveis, é um problema económico. E esse problema económico de divisas exige respostas estruturais. Os grandes projetos continuam a ser vistos com otimismo, mas é preciso criar condições para fortalecer a economia nacional”, concluiu.
