Maputo (O Destaque/ Cortesia) – Uma ampla diferença entre o custo estimado pelo Governo do Malawi para repatriar cidadãos retidos na África do Sul e o valor apresentado por uma iniciativa liderada por cidadãos está a provocar intensa polémica no país. Enquanto o Executivo prevê gastar cerca de 88,4 mil meticais por pessoa, um grupo de voluntários afirma realizar a mesma operação por aproximadamente 9,3 mil meticais por repatriado.
O plano do Governo do Malawi de mobilizar cerca de 910 milhões de meticais para repatriar aproximadamente 10 mil cidadãos da África do Sul passou a ser alvo de questionamentos públicos, depois de uma iniciativa da sociedade civil divulgar custos significativamente inferiores para a mesma missão.
A discussão ganhou força nas redes sociais depois de o escritor e comentador Onjezani Kenani revelar que um grupo de cidadãos organizou o regresso de 85 malawianos retidos na África do Sul por um custo médio equivalente a 9,3 mil meticais por pessoa.
Segundo Kenani, a equipa pagou 203 mil rands pelo aluguer de um autocarro inicialmente previsto para transportar 66 passageiros, mas que acabou por levar 85 pessoas.
A comparação foi reforçada pelo analista Jack MacBrams, que destacou que o custo estimado pelo Governo é quase dez vezes superior ao da iniciativa cidadã. Para o comentador, a diferença levanta questões sobre a eficiência da despesa pública e a necessidade de maior transparência na utilização dos recursos do Estado.
MacBrams defendeu que, quando cidadãos conseguem atingir o mesmo objectivo humanitário com custos muito inferiores, os contribuintes têm o direito de saber por que razão o Governo prevê uma despesa tão elevada e como será aplicado o restante montante.
Entretanto, documentos do Departamento de Gestão de Assuntos de Desastres (DoDMA), tutelado pelo Gabinete do Presidente e do Conselho de Ministros, esclarecem que o orçamento governamental não contempla apenas o transporte dos repatriados.
A proposta inclui despesas com aluguer de autocarros, transporte interno até aos distritos de origem, alimentação, água, alojamento temporário, serviços de água, saneamento e higiene, iluminação de segurança, reunificação familiar, equipas de coordenação, combustível para viaturas de escolta e gestão dos centros de acolhimento na África do Sul.
Apesar dessa justificação, a diferença entre os dois modelos de repatriamento continua a alimentar o debate público sobre a eficiência dos gastos do Estado e a prestação de contas na gestão dos recursos destinados à assistência humanitária.
