Maputo (O Destaque) – A decisão atribuída ao novo Presidente do Conselho de Administração do Fundo Nacional de Desenvolvimento Sustentável (FNDS), Dino Foi, de prescindir de algumas regalias associadas ao cargo está a gerar reacções. O analista Hedson Massingue saudou a postura, mas deixou um alerta: espera que a opção de abdicar de benefícios não lhe custe “a cabeça”.
Segundo informações citadas pelo Canal de Moçambique, Dino Foi terá decidido prescindir do salário, da viatura protocolar e do subsídio de habitação enquanto estiver à frente do FNDS. A mesma informação refere que o dirigente terá também optado por não adquirir uma nova viatura protocolar, avaliada em cerca de seis milhões de meticais, preferindo permanecer na sua própria residência.
Em reacção ao assunto, Hedson Massingue felicitou o PCA e considerou que a atitude representa um exemplo de liderança orientada para o serviço público.
“Tem parabéns, que esta posição não te custe a cabeça”, afirmou Massingue.
Para o analista, são atitudes deste género que, na sua perspectiva, o país precisa, defendendo que os dirigentes devem estar mais focados no bem-estar dos cidadãos do que nas regalias associadas aos cargos.
“São destes líderes que o país procura: o bem-estar dos outros, e não nomeados para regalias”, afirmou.
Massingue entende ainda que a decisão de Dino Foi poderá ser interpretada como uma demonstração de que o dirigente está disposto a assumir a função sem procurar benefícios pessoais.
Auditoria ao FNDS
Outro ponto destacado por Massingue é a informação de que Dino Foi terá anunciado uma auditoria externa às contas e aos projectos do FNDS, incluindo iniciativas relacionadas com o programa SUSTENTA.
Para o analista, a decisão de auditar as contas pode significar uma preocupação em conhecer a situação da instituição antes de assumir responsabilidades sobre decisões tomadas anteriormente.
“Quando se pede auditoria, é sinal de que não quero carregar pecados alheios”, afirmou Massingue.
Na sua leitura, o FNDS enfrenta um desafio de grande dimensão e a eventual auditoria poderá ajudar a esclarecer a situação dos projectos e dos fundos sob gestão da instituição.
Massingue também associou a nova liderança à necessidade de recuperar a finalidade dos fundos destinados ao desenvolvimento sustentável, fazendo uma crítica à forma como, segundo ele, o programa SUSTENTA terá sido implementado.
“O famigerado SUSTENTA, que de sustentável nunca teve, senão para a sustentabilidade de alguns que não têm coração, acabaram com os fundos do dito SUSTENTA, que não sustentou ninguém”, declarou.
As afirmações sobre o funcionamento e a utilização dos fundos do SUSTENTA são, contudo, uma avaliação do analista.
Massingue considera que Dino Foi chega ao FNDS com experiência e capacidade para enfrentar os desafios da instituição, descrevendo-o como uma pessoa habituada a assumir responsabilidades de liderança.
“É um homem que já é experimentado e não é algo que seja novo; apenas assume uma responsabilidade de conduzir algo de dimensão maior, com visão de trazer resultados a médio e longo prazo”, afirmou.
O analista terminou destacando o que considera serem características pessoais do novo PCA, apontando-o como alguém com “personalidade e coração solidário”, e com sentido de serviço ao próximo.
