Maputo (O Destaque) — O Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO) voltou a posicionar-se num autêntico turbilhão mediático após partilhar, na sua página oficial, um relatório descritivo sobre o balanço das suas actividades administrativas, num post do Facebook onde detalhava sobre a movimentação cartas, em todo país.
O documento, que pretendia demonstrar produtividade e rigor regulatório, acabou por surtir o efeito oposto e transformou-se num palco de forte contestação. Em poucos minutos, uma onda de internautas indignados e atentos invadiu o espaço virtual da instituição pública, descarregando uma avalanche de críticas mordazes, descontentamento acumulado e ironia pesada face aos dados apresentados pela direcção reguladora.
O tom das reacções escalou rapidamente de um simples desabafo digital para um cenário de ridicularização pública, onde a credibilidade da instituição foi duramente posta em causa. Entre as centenas de reacções que inundaram a referida publicação, um dos internautas disparou com absoluto desdém que “o INATRO é um meme”, numa alusão directa à falta de seriedade que muitos sentem por parte da entidade.
Logo de seguida, outro utilizador questionou o propósito daquela postagem ao comentar ironicamente “é melhor dactilografar as cartas. Há muito tempo não demoravam tanto assim”, reflectindo o sentimento de que a actuação do órgão regulador passou a roçar o ridículo, alimentada por falhas logísticas crónicas que afectam o dia-a-dia de milhares de condutores no país.
A avalanche de deboche não parou por aí e atingiu o auge quando os cidadãos decidiram fustigar a gritante lentidão e ineficácia na emissão de documentos. Com um tom carregado de acidez, um internauta sustentou a frustração geral ao prever ironicamente que “desde ano passado estou a espera da minha carta, estou farta de sempre 90 dias”, enquanto outro seguiu a mesma linha de pensamento satírico ao afirmar que, “para biométricas até Jesus voltar, daqui a nada irei completar dois anos com a carta provisória”.
O choque provocado por esta publicação expõe publicamente o profundo fosso de desconfiança que separa o cidadão moçambicano da gestão do INATRO. Ao tentarem justificar o seu desempenho com dados que a própria população considerou incoerentes, os responsáveis pelo sector rodoviário acabaram por fornecer munição para um debate dramático sobre a eficácia das reformas institucionais em curso.
