Maputo (O Destaque) – Presidente quer acelerar combate à desnutrição infantil e transformar segurança alimentar numa agenda nacional com resultados concretos
O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, defende uma mobilização nacional para combater a fome e acelerar a redução da desnutrição crónica infantil, que ainda afecta cerca de 37% das crianças menores de cinco anos no país.
A posição foi apresentada esta segunda-feira, em Maputo, durante a abertura da Primeira Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, onde o Chefe do Estado orientou a aceleração da implementação da Política e Estratégia de Segurança Alimentar e Nutricional 2024–2030.
Para Chapo, garantir que os moçambicanos tenham acesso a alimentos suficientes, seguros e nutritivos não pode ser responsabilidade exclusiva do Governo. O Presidente defende uma acção convergente que envolva o sector privado, sociedade civil, academia, parceiros de cooperação e outros segmentos da sociedade.
“Alimentar bem o nosso povo é uma responsabilidade de todos nós, uma prioridade de Estado e uma condição para construirmos um Moçambique mais saudável, produtivo, próspero e, sobretudo, resiliente”, afirmou.
O Presidente considera que a conferência deve representar uma mudança de abordagem, deixando para trás intervenções dispersas e avançando para uma agenda nacional coordenada, com metas e resultados mensuráveis nas comunidades.
Apesar do potencial agrícola do país, Chapo reconheceu que a desnutrição crónica continua a ser um dos principais desafios. O Programa Quinquenal do Governo 2025–2029 estabelece como meta reduzir o actual indicador de cerca de 37% para 30% até 2029.
Para atingir esta meta, o Chefe do Estado defende o aumento da produção agrícola, a redução das perdas pós-colheita e melhorias na conservação, armazenamento, transformação e comercialização dos produtos.
Chapo apontou ainda para a necessidade de reforçar as infra-estruturas de escoamento, de modo a facilitar a chegada dos alimentos às famílias e garantir que os produtores obtenham rendimento pelo seu trabalho.
DA AGRICULTURA À SAÚDE: CHAPO QUER SECTORES A TRABALHAR JUNTOS
Outra orientação apresentada pelo Presidente passa pela aproximação entre os sectores da Agricultura, Saúde, Educação, Água, Saneamento e Protecção Social.
Na visão do Chefe do Estado, as intervenções destes sectores devem convergir nos mesmos territórios e chegar directamente às famílias que mais precisam.
Perante a exposição de Moçambique a secas, cheias, inundações e ciclones, Chapo defendeu igualmente maior investimento na gestão da água, irrigação, tecnologias adaptadas, sistemas de alerta precoce e capacidade de armazenamento.
A aposta, segundo o Presidente, deve ser na prevenção, antecipando os efeitos dos fenómenos climáticos sobre a produção e o acesso das famílias aos alimentos.
Chapo defendeu também que o financiamento da segurança alimentar e nutricional seja encarado como um investimento no desenvolvimento do país.
Segundo o estadista, investir na nutrição significa fortalecer o capital humano, enquanto o investimento na agricultura e no agro-processamento pode gerar rendimento, estimular a industrialização e proteger os ganhos alcançados perante os riscos climáticos.
No centro da sua intervenção esteve ainda a responsabilização pelos compromissos assumidos. O Presidente questionou quem fará o quê, até quando, com que recursos e quais serão os resultados, defendendo que as decisões tomadas na conferência não devem ficar apenas no papel.
Entre as cinco orientações apresentadas, Chapo destacou a transformação dos sistemas alimentares, a mobilização de recursos, o reforço da monitoria, a prestação de contas e a responsabilização pelos compromissos.
