Niassa (O Destaque) – A tensão no povoado de Mpapa, posto administrativo de Cobué, atingiu o ponto de agitação. Segundo relatos colhidos no terreno, o conflito estalou quando uma empresa de capitais chineses decidiu alterar unilateralmente a tabela de salários. O que dantes era um salário uniforme de 12 mil meticais, transformou-se num cenário de “dois pesos e duas medidas”: novos contratados passaram a auferir 20 mil meticais, enquanto os veteranos locais continuavam estagnados na base.
Ao questionarem a disparidade para funções idênticas, os mineiros moçambicanos afirmam ter recebido uma resposta que consideram um insulto à sua capacidade: a entidade patronal terá alegado que os locais “não sabem trabalhar”.
“É uma injustiça gritante. Como é que dizem que não sabemos trabalhar se somos nós que garantimos a produção desde o início, estão a usar a nossa força para enriquecer e agora descartam-nos como lixo”, desabafou um dos garimpeiros afectados.
Em protesto contra o que classificam de exploração e racismo laboral, os trabalhadores abandonaram os postos e exigem agora o pagamento dos salários em atraso para poderem regressar às suas zonas de origem. Contudo, a denúncia ganha contornos mais graves: os mineiros alegam que a polícia local, em vez de mediar o conflito, está a agir como “escudo” da empresa estrangeira, impedindo que os direitos dos nacionais sejam salvaguardados.
Até ao fecho desta edição, nem a administração da empresa envolvida, nem o comando distrital da PRM (Polícia da República de Moçambique) se pronunciaram sobre estas graves acusações. O número exacto de famílias que agora ficam sem sustento em Lupilichi permanece incerto, mas o clima no distrito do Lago é de profunda revolta e incerteza.
Fonte: TV LAGO
